Futebol: Carregado desce de divisão pela quinta vez na última década

O Carregado voltou a descer de divisão, o que acontece pela quinta vez nos últimos dez anos. A equipa sénior da ADC tombou para a primeira divisão da Associação de Futebol de Lisboa, que corresponde actualmente à última divisão do distrito.

É uma daquelas notícias que nos entristece ter de dar: o Carregado voltou a descer de divisão, o que acontece pela quinta vez nos últimos dez anos. A equipa sénior da Associação Desportiva tombou para a primeira divisão da Associação de Futebol de Lisboa, que corresponde actualmente à última divisão do distrito.

Longe vão os tempos de fulgor que há cerca de uma década conduziram o Carregado à segunda liga profissional. Uma aventura exigente e que, na opinião de muitos, terá sido decisiva para o que tem vindo a acontecer à ADC desde 2010. Recorde-se que o Carregado foi, na altura, convidado a participar na segunda liga por via de um processo que envolveu a descida de outros clubes, descidas essas determinadas na secretaria.

O Carregado não estava claramente dimensionado para uma época em contexto profissional. O clube pediu emprestado o Estádio Municipal do Cartaxo, e a equipa era um misto de profissionais com jogadores amadores; uns treinavam de manhã e outros treinavam ao fim do dia, normalmente no campo sintético do Lacerda Pinto Barreiros. A aventura, muito impulsionada pelo então presidente Ramiro “Salsa” Rodrigues, duraria apenas essa época e a descida de divisão foi o desfecho mais que lógico.

Desde essa altura a equipa sénior do Carregado tem feito um percurso inverso às décadas anteriores quando, pelas mãos de Elói Zeferino e Sérgio Ricardo, havia trilhado um caminho ascendente de sucesso até 2010. Nos últimos dez anos o Carregado desceu por cinco vezes, e quando não desceu quase sempre andou com o credo na boca até às derradeiras jornadas.

Refira-se que ser dirigente na Associação Desportiva do Carregado deverá configurar, nesta altura da história, uma tremenda e exigente aventura. O clube vive dias de incerteza desde há vários anos devido à conhecida questão da propriedade do Campo Lacerda Pinto Barreiros, tendo-se colocado por diversas vezes o cenário possível do despejo. Mesmo assim, dirigentes corajosos e abnegados continuam a dar tudo de si para garantir futebol e prática desportiva a centenas de jovens da região.

De resto, esta descida de divisão não apanha desprevenidos os mais atentos. Fernando Silva, o presidente da Associação, deixou bem claro o contexto de dificuldades em que a ADC tem vivido nos últimos tempos. Houve um desinvestimento estratégico e lógico no futebol sénior, determinado pelas circunstancias. Ninguém desce de divisão por vontade própria, mas este desfecho era previsível. Mais vale competir com os pés assentes na relva do que andar em aventuras para as quais o clube não está dimensionado.

 

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