A miséria política de Portugal retratada a rigor por Maria José Morgado

As declarações são de Maria José Morgado, mas poderiam ser minhas. Subscrevo-as em cada letra de cada palavra, e por essa razão reproduzo. Vale a pena ler, reflectir, mas sobretudo arregaçar mangas e tomar medidas.

As declarações são de Maria José Morgado, mas poderiam ser minhas. Subscrevo-as em cada letra de cada palavra, e por essa razão reproduzo. Vale a pena ler, reflectir, mas sobretudo arregaçar mangas e tomar medidas.

“A classe política aproveitou a sua oportunidade, que não é a oportunidade do bem comum. Choveram fundos europeus sobre Portugal, mas esses fundos foram desviados individualmente para enriquecimento privado e para miséria da população, nunca para o desenvolvimento económico do país. O medo voltou, a corrupção instalou-se. As pessoas têm medo de ficar sem reformas, as pessoas têm medo de não encontrar emprego, têm medo de não conseguir sobreviver a todas as privações, têm medo de ser despedidas”.

A sociedade portuguesa está dominada pelo medo. Não há nenhuma espécie de liberdade. Mais: não há liberdade até entre aqueles que têm o dever de julgar. Não sei que liberdade é que possa existir num magistrado que ganhe 2.000 euros por mês e que tenha que julgar uma causa de milhões; esse magistrado pode pensar: e se eu me engano, fico a descontar para o resto da vida”.

“A Democracia Portuguesa não foi uma democracia de responsabilidade e de prestação de contas. A classe política habituou-se a privilégios e a confundir ser elite com ser irresponsável e não prestar contas quando o elitismo, em qualquer parte do Mundo, é a responsabilidade. Quanto mais poder se tem, mais responsável se é, mas em Portugal não é assim: a ética não existe”.

“Em Portugal substitui-se a ética pelas regras de produção de prova. Então, isto quer dizer que não se pode discutir a imoralidade de um político ou de alguém que entrou na política com uma mão atrás e outra à frente e passados 10 anos tem um império em propriedades e em empresas sem se saber como. E não se pode saber como”.

“É esta a história dos fundos sociais europeus e dos dinheiros públicos: foi um grande esbanjadouro em que se transformou a nossa democracia. Esbanjadouro relativamente ao qual estamos a pagar a conta. Todos nós, Portugueses”.

 

VIANuno Cláudio
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