Câmara de Alenquer negoceia em contra-relógio para evitar que Carregado seja despejado

A Câmara de Alenquer tem somente dois dias para evitar que a Associação Desportiva do Carregado seja despejada do campo Lacerda Pinto Barreiros. A família proprietária do terreno tem a seu favor uma decisão judicial transitada em julgado, e o prazo termina já amanhã. A autarquia pretende adquirir o terreno e evitar desta forma a acção de despejo, mas ainda não há acordo quanto ao valor a pagar pelo município aos Pinto Barreiros.

A Câmara de Alenquer tem somente dois dias para evitar que a Associação Desportiva do Carregado seja despejada do campo Lacerda Pinto Barreiros. A família proprietária do terreno tem a seu favor uma decisão judicial transitada em julgado, e o prazo termina já amanhã. A autarquia pretende adquirir o terreno e evitar desta forma a acção de despejo, mas ainda não há acordo quanto ao valor a pagar pelo município aos Pinto Barreiros.

Em cima da mesa está uma pedido por parte dos herdeiros de Pinto Barreiros que ronda os 130 euros por metro quadrado, mas o Fundamental apurou que a família poderá aceitar baixar para os 100 euros. Mesmo assim a autarquia pretende exigir mais das negociações, e solicitou esta semana uma avaliação do terreno a outra entidade independente.

Este novo cenário leva a que seja impossivel chegar a qualquer entendimento até ao final do dia de amanhã, e muito menos será viável a realização de qualquer escritura de aquisição. A família Pinto Barreiros aguarda que a Câmara se pronuncie sobre o valor pedido, mas a edilidade pretende apresentar nova contra-proposta com base na avaliação independente que foi solicitada no decorrer desta semana.

Segundo o Fundamental apurou, a Câmara de Alenquer conta ter o resultado da avaliação ainda no decorrer do dia de amanhã, sexta-feira. O valor do terreno, mesmo tendo em conta que a família Pinto Barreiros poderá baixar para os 100 euros por metro quadrado, foi considerado em sede de reunião do executivo um valor bastante elevado, sendo que o mesmo obrigaria a um esforço de aquisição que poderá rondar os 600 mil euros.

É necessário ter igualmente em conta que o espaço ocupado pelo complexo desportivo pertence em cerca de 80 por cento da sua área aos herdeiros de Pinto Barreiros, o que significa que a autarquia terá sempre de adquirir os restantes 20 por cento do terreno aos seus legítimos proprietários, que naturalmente vão exigir uma verba por metro quadrado pelo menos idêntica à verba que será recebida pela família do antigo ganadeiro.

De realçar que o terreno do campo está classificado no Plano Director Municipal como terreno urbano, uma “prenda” do antigo presidente Álvaro Pedro que desta forma valorizou o espaço. A família agarra-se a esta classificação do Plano Director para fazer valer os seus direitos. A Câmara de Alenquer, embora tivesse legitimidade política para o fazer, não tem tempo para alterar o PDM e “devolver” o terreno a uma categoria de utilização para equipamentos desportivos. Neste momento a família Pinto Barreiros tem a faca e o queijo na mão.

As negociações entre a autarquia e a família são ainda mais demoradas tendo em conta a complexidade dos contactos com os herdeiros. Cada proposta da Câmara leva cerca de 20 dias a ser analisada por todos os herdeiros, que vivem dispersos e têm que comunicar entre si. A família não aceita qualquer contacto ou negociação com a direcção da Associação Desportiva do Carregado e esta, por sua vez, afirma que é a Câmara quem tem que resolver a questão.

Foi ainda colocada a possibilidade do Carregado utilizar as instalações do União Desporto e Recreio de Vila Nova da Rainha, pelos menos durante o periodo de negociações e caso a família Pinto Barreiros chegue ao extremo de proibir a utilização do campo a partir do próximo sábado. O Fundamental sabe que a direcção do Carregado opôe-se a esta solução, alegando que iria perder muitos dos seus jogadores da formação.

Segundo ainda o Fundamental apurou, a autarquia de Alenquer neste momento tem disponibilidade financeira para adquirir o terreno. As receitas do IMI têm aumentado e a Câmara ainda não recorreu este ano ao empréstimo de curto prazo que costuma levar a cabo para fazer face a despesas de tesouraria. Este empréstimo é liquidado dentro do mesmo ano civil, e embora esteja aprovado a autarquia não necessitou até ao momento de recorrer a esta verba. Pode muito bem vir a ser a almofada financeira que servirá para adquirir o terreno do campo de jogos Lacerda Pinto Barreiros.

Seja como for, o futuro da Associação Desportiva do Carregado passará pelo novo campo, a construir na Guizanderia, por detrás da antiga escola primária. Este terreno pertence aos herdeiros de Manuel da Conceição Graça e serão vendidos a um preço simbólico à associação – há até quem diga que poderão ser doados pelos herdeiros do falecido empreendedor e empresário.

O problema prende-se com o tempo necessário para levar a cabo a construção deste novo campo: entre burocracias, subsídios, obras e restante logística, pelo menos um a dois anos passarão até o Carregado ver a sua nova casa edificada na Guizanderia. Entretanto a autarquia necessita urgentemente de chegar a um entendimento com a família Pinto Barreiros. Caso contrário, é o futuro imediato da Associação Desportiva que está em causa.

 

; ;
VIAAlexandre Silva
COMPARTILHAR