

Vasco da Gama Caseiro foi um dos alenquerenses mais apaixonados pelo Partido Comunista, ao qual dedicou toda a sua vida. Este conhecido habitante de Alenquer partiu a 25 de Agosto do ano passado, mas deixou expressa a vontade de ter inscrita na sua lápide a sigla do seu partido do coração. Nora e filho fizeram a vontade a Vasco Caseiro, mas estavam longe de imaginar os problemas e contratempos que tal acto viria a originar.
Ana Paula e Jorge Caseiro são respectivamente nora e filho do defunto Vasco, e acreditam que seja onde for que o patriarca Caseiro esteja rejubila com o simbolo do PCP inscrito na sua lápide. Vasco Caseiro era ateu e por essa razão não existe qualquer imagem ou crucifixo cristão na sua lápide, sendo a sigla do Partido Comunista a única referência desejada pelo falecido Caseiro, o que naturalmente é um direito que assiste tanto ao defunto como à família Caseiro.

O problema vem, como também é natural por estas bandas, da parte da Câmara Municipal de Alenquer, mais concretamente da parte das pessoas que a servem e que têm a categoria de funcionários públicos. O coveiro do Cemitério de Alenquer deixou bem claro que tem ordens para não promover o azelo da campa de Vasco Caseiro. O homem não foi capaz de referir de quem partiu a indicação óbvia de votar esta sepultura ao desprezo, mas é certo que daquela campa nem se aproxima, como se a mesma estivesse amaldiçoada.

Houve quem garantisse a Ana Paula Caseiro que o coveiro poderia… reconsiderar, a troco de uma gratificação financeira, o que também continua a ser típico por estas bandas, não obstante estarmos em pleno século XXI, no ano 2016. Nesse aspecto, a escola de Álvaro Pedro ficou enraizada de corpo e alma. Certo é que o casal Caseiro recusou embarcar nesses esquemas, e a campa lá continua deixada de parte pelo pobre coveiro, que, segundo o casal assegura, recebe ordens superiores para se comportar desta forma.
Jorge e Ana Paula comentam a situação, e não escondem a revolta que lhes vai na alma: “O meu pai dedicou toda a sua vida ao Partido Comunista e por outro lado nunca teve religião; são dois direitos que lhe assistiam, assim como é um direito ter gravado na sua lápide aquilo que ele bem entende”, refere Jorge Caseiro. Já Ana Paula acrescenta: “As pessoas confundem as coisas: um cemitério não é obrigatoriamente um lugar para sepultar exclusivamente cristãos. Ateus ou pessoas de outras crenças também têm o direito de aqui serem sepultadas, e as lápides são pessoais, onde cada um grava aquilo que bem entender”. Apostamos nós que seria pacífico se se tratasse da sigla de um tal Partido Socialista, evidentemente…
















