Milhões para Alenquer e tostões para o Carregado

A Câmara de Alenquer acaba de dar mais uma machadada nas pretensões do Carregado. Foi buscar 5,5 milhões de euros de fundos europeus com a desculpa de que os iria investir numa espécie de “nova cidade” que seriam Alenquer e Carregado. Mas afinal tudo não passou de uma manobra para arrancar dinheiro à UE, já que para o Carregado está destinada uma verba que não chega aos 700 mil euros.

Nova cidade? Afinal tudo não passou de uma manobra para arrancar dinheiro à UE, já que para o Carregado está destinada uma verba que não chega aos 700 mil euros de um bolo de 5,5 milhões...

O Carregado continua a ser o patinho feio da autarquia alenquerense. A Câmara de Alenquer foi buscar 5,5 milhões de euros de fundos europeus apresentando um projecto que apontava para um investimento numa espécie de “nova cidade” que seriam Alenquer e Carregado juntas, no âmbito do Plano Estratégico de Desenvolvimento Territorial (PEDU), integrando os dois centros urbanos num conceito de nova cidade. Esta ideia de centralidade acabou por permitir à Câmara de Alenquer alcançar uma verba bastante superior em relação ao que seria inicialmente esperado, e muito devido aos projectos que foram apresentados tendo o Carregado como palco dos mesmos. Mas afinal tudo não passou de uma manobra para arrancar dinheiro à UE, já que para o Carregado está destinada uma verba que não chega aos 700 mil euros. Ou seja, o Carregado serviu apenas para que o estratagema da câmara resultasse, mas na verdade a autarquia apenas tem intenção de fazer o minimo dos minimos naquela que continua a ser a freguesia que mais contribui para os impostos que o município arrecada anualmente. A farsa começou por ser revelada assim que foi apresentado publicamente o plano estratégico.

roady_roda04

É que o mesmo desde logo foi renegado pelos próprios dirigentes que acabavam de o apresentar, e que referiram que não ia haver cidade alguma quando foram confrontados com algumas objecções à criação dessa nova metrópole. Ou seja, a confissão plena de que Alenquer arrancou 5 milhões e meio à União Europeia com base numa mentira descarada. A Câmara de Alenquer apresentou inicialmente uma lista de obras para formalizar a candidatura ao PEDU, e essa lista previa inúmeros investimentos em Alenquer, no Carregado e entre as duas vilas. “De certa forma, era consistente com a ideia de cidade, tendo-me aliás sido explicado quando critiquei a ausência de estratégia naqueles investimentos que a ideia era fazer uma metrópole”, refere Frederico Rogeiro, arquitecto de Alenquer e conhecido activista pela qualidade da requalificação urbana de Alenquer e Carregado, numa declaração pública, acrescentando: “A lista que agora é conhecida – creio que definitiva – foi revista em baixa, e concentrou quase tudo em Alenquer”. O que é facto é que a presente lista de obras a realizar com os tais 5,5 milhões de euros deixou de ser consistente com a tal ideia de cidade ou metrópole, o que reforça a ideia de que a estratégia parece ter sido ir buscar mais fundos somando Alenquer e Carregado, sem realmente haver uma intenção de aqui consolidar um único perímetro urbano.

Carregado sempre às voltas, mas com o passar dos anos nunca sai do mesmo sítio...
Carregado sempre às voltas, mas com o passar dos anos nunca sai do mesmo sítio…

Ainda de acordo com Frederico Rogeiro, este processo revestiu-se de uma opacidade mirabolante: “Ter acesso a mais dinheiro também não substitui um processo político e de participação decente, e as pessoas do Carregado podem também perguntar porque é que, se faziam parte do perímetro que deu acesso aos fundos (e certamente a parte maior), as obras previstas para lá não chegam a 13% do total. Isto já contabilizando como sua a prevista ligação à ferrovia, que a existir também servirá Alenquer, pois se não contarmos com esta obra o quinhão do Carregado fica abaixo dos 5%”, refere Rogeiro, que conclui: “Ter mais dinheiro não apaga esta injustiça, e colocar na capa do Boletim Municipal uma foto da Barrada também não a disfarça”.

;
VIAA.T.
COMPARTILHAR