“Há uma divisão clara entre o Carregado novo e o Carregado velho”

Pedro Folgado aborda a questão dos espaços verdes na freguesia do Carregado, tendo a Urbanização da Barrada como pano de fundo da conversa com Nuno Cláudio.

Pedro Folgado aborda a questão dos espaços verdes na freguesia do Carregado, tendo a Urbanização da Barrada como pano de fundo da conversa com Nuno Cláudio.

A Urbanização da Barrada tem sido um pólo de discussão transversal às diversas forças políticas e diferentes gerações de autarcas. Como é que Pedro Folgado vê a problemática inerente a esta urbanização, agora que é presidente da Câmara de Alenquer, e também um habitante do Carregado?
Eu vejo a Barrada como um espaço que obviamente tem que ser melhorado. A Barrada é uma realidade que não pode ser ignorada, que não podemos deixar que se transforme em gueto, e que terá que ser articulada com o resto do Carregado, tornando-se um espaço com qualidade de vida. A Barrada é um espaço dormitório, de pessoas que vão e vêem, nomeadamente estrangeiros, que nunca se sentem verdadeiramente carregadenses. Enquanto carregadense, eu considero muito importante melhorar a qualidade de vida na Barrada.
Fazendo nomeadamente o quê?
Tem que haver aqui alguma ginástica paisagística. Alguém que perceba de reordenamento do território e que possa fazer um trabalho nesse sentido. Temos que ouvir as pessoas e perceber quais são as expectativas das pessoas que aqui vivem, porque há uma divisão clara entre o Carregado novo e o Carregado velho, em que um não se mistura com o outro.
Terá sido uma urbanização bem pensada?
Mais uma vez tem a ver com a época e o tempo. Naquela altura houve centenas de vilas e de cidades onde aconteceu algo semelhante. Apareceram torres e prédios e casas e casas. Agora existe, não dá para ignorá-lo e há que melhorá-lo. Se calhar não eram precisas tantas casas, mas foram feitas e agora não vale a pena ignoror o problema.
O que pode a câmara fazer em prédios onde os elevadores não funcionam, onde em vez de portas existem panos ou meias portas de casas para os patamares, onde em vez de casas de banho existem galinheiros, onde em muitas casas não há luz nem água e vive-se como se se tratassem de barracas?
A câmara dificilmente pode substituir-se aos proprietários. Podemos é ser mediadores entre as várias partes, tentar perceber o porquê de tal acontecer e procurar ajudar a resolver o problema. A câmara terá meios para promover a integração destas pessoas?
Podem fazer-se várias coisas, como criar informação em relação aos serviços e às ofertas que existem ao nível do município, criar espaços para divulgar essa informação na própria Urbanização da Barrada ou para atendimento a essas pessoas, para tentar incorporá-las no Carregado. As pessoas têm que ter acesso a perceber o que existe em Alenquer e no Carregado ao nível das ofertas, para que se sintam mais em casa, mais integrados no concelho.
Um dos problemas do Carregado tem a ver com a falta de espaços verdes. Não há um local onde crianças ou idosos possam estar por exemplo durante o dia, em convívio. Faz parte dos seus planos combater esta ausência?
Segundo a nova legislação, os espaços verdes são competência das juntas de fregueisa, que serão quem deve equacionar a existência dos mesmos. Enquanto carregadense, sinto obviamente falta desses espaços verdes. Se quero dar um passeio à noite, quando está bom tempo, ou se quero ler o jornal de facto não tenho esse espaço no Carregado. Mais que não seja enquanto carregadense terei que lutar para que, em articulação com a junta de freguesia, possamos criar esses espaços verdes no meio de tanto prédio e de tanta casa. Essa desarticulação que houve com o ambiente tem que ser combatida, e fazia falta um parque urbano como há em Alenquer, onde as pessoas possam passear, conversar um bocadinho e levar os filhos ou os idosos.
É ponto de honra chegar a 2017 com esse objectivo alcançado?
Não sei se conseguirei em 2017, mas é ponto de honra que vou lutar por esse objectivo.

FONTEEntrevista: Nuno Cláudio
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