“O problema do António Jorge Lopes é que nunca me ganhou a nada”

António José Matos também fala do chumbo do Relatório de Contas e Gerência em sede de Assembleia Municipal, e já agora aproveita igualmente para responder à bicada do vereador da Coligação Pelo Futuro da Nossa Terra.

António José Matos afirma que a empresa Águas de Azambuja estão a cobrar uma taxa injustificada, e apela à devolução do dinheiro aos munícipes...

F : Como é que analisas o chumbo do Relatório de Contas e Gestão alusivo a 2014 em sede de Assembleia Municipal?
A.J.M.: Com naturalidade. O PSD votou contra de forma natural, e a CDU votou contra sobretudo tendo por base questões relacionadas com a sua ideologia. Quem vai validar aquele relatório é o Tribunal de Contas. Eu acredito que a CDU não deixaria que o Relatório fosse chumbado, caso a Assembleia Municipal fosse o último estágio daquele Relatório…
F : Porque afirmas isso?
A.J.M.: Pela postura responsável que tem caracterizado a CDU na Assembleia Municipal. Se não fosse essa postura responsável, António Nobre não teria sido chamado para ser o representante do município na Comissão de Acompanhamento na questão das águas. O chumbo da CDU deveu-se, na minha opinião, a uma questão político-ideológica, porque não concordam com as concessões, não concordaram com a EMIA, tão pouco com a falta de informação que houve sobre a EMIA ou com as engenharias financeiras que foram feitas.
F : E o António José Matos, concorda com tudo isso?
A.J.M.: Assim como uma estrada não é sempre a direito, tem curvas e nós temos que saber fazer essas curvas, a gestão de uma empresa também não pode ser monodireccional. Tem curvas, tem percalços. Joaquim Ramos fez coisas com as quais eu não concordo, principalmente a concessão das águas, mas o homem é inteligente e sabe fazer as coisas. Os terrenos de que se fala sempre foram da Câmara, e nunca deixaram de o ser. A EMIA aparece porque Manuela Ferreira Leite proibiu as Câmaras de se endividarem e Azambuja, como outros municípios, tiveram que encontrar uma fórmula para conseguirem fazer as obras de que as populações precisavam.
F : Mas faz sentido apelidar de inteligente alguém que arranja uma artimanha virtual para valorizar terrenos de 160 mil euros em 5,8 milhões de euros só para conseguir… endividar ainda mais a Câmara de Azambuja? Pensei que essas pessoas tivessem outra caracterização que não propriamente a de pessoas inteligentes. Pensava eu.
A.J.M.: Bom, eu na altura fartei-me de gozar com esse valor de 5,8 milhões, e até disse que por esses valores também lá tinha uns terrenos que era bem capaz de os vender. A Câmara tinha que anualmente transferir uma verba a título de indemnização compensatória pelas obras que a EMIA ia fazendo. Mas a determinada altura a Câmara deixou de pagar essa verba, atrasou-se. A EMIA tinha obras para entregar à Câmara, mas a Câmara não tinha como pagar essas obras à empresa municipal. Não havia dotação orçamental para pagar à EMIA, a Câmara não tinha dinheiro. E o que fez Joaquim Ramos? Um projecto de concessão a 30 anos a uma empresa de estacionamento, que estava disponível para explorar essa vertente nos terrenos em causa e em toda a vila de Azambuja. E era nesse negócio de 30 anos que os terrenos eram valorizados nesses montantes próximos dos 6 milhões de euros.
F : Enfim, endividar a Câmara contando literalmente com o ovo no rabo da galinha que ainda nem nasceu.
A.J.M.: Eu não consigo censurar Joaquim Ramos pelo que fez. Eu na altura votei a favor (era vereador do PSD no mandato 2005 a 2009), até porque aprovámos que a primeira hora de estacionamento iria ser grátis, para permitir às pessoas irem ao banco, às compras, aos correios, enfim, tratarem das suas vidas. Era a forma encontrada para que o comércio tradicional visse os carros a pararem, as pessoas a fazerem consumo e a irem embora, sem despesas para estacionar os carros.
F : Bom, mas a verdade é que a ideia não passou de virtual, os terrenos de 5,8 milhões afinal só valem 160 mil e a Câmara tem uma dívida para pagar.
A.J.M.: A EMIA tinha obras concluídas para passar para a posse do município, e o município pagou essas obras com os ditos terrenos…
F : Ou seja, não pagou coisíssima nenhuma, e agora é a actual Câmara que tem que pagar, porque o passivo da empresa foi integrado nas contas da Câmara.
A.J.M.: Foi apenas um equilíbrio contabilístico. Mais nada. Os terrenos nunca deixaram de ser da Câmara, não se perderam valores, não há buraco nenhum nas contas do município.
F : Como analisas esta redução da capacidade de endividamento da Câmara de 7 milhões para 100 mil euros?
A.J.M.: A ideia não é pedir mais dinheiro, antes pelo contrário. É pagar o que se deve. O que reduziu a capacidade de fazer obras foi aquela prestação de oitocentos e tal mil euros que o governo obrigou a Câmara a pagar extraordinariamente, porque a Câmara tinha dinheiro que resultou das suas poupanças. Quando se faz um contrato para crédito a habitação, as pessoas não obrigadas a amortizar verbas elevadas desse crédito se tiverem um pé de meia. Mas o governo não entende assim, e obrigou a Câmara a entregar dinheiro que poupou fruto de boa gestão e de mais pagamento de IMI. Esse dinheiro era para fazer obra. Aí é que está a verdadeira diminuição da capacidade de fazer obras, e em mais lado nenhum.
F : 3,5 milhões de euros negativos de saldo líquido nas contas de gerência, um valor que a oposição considera o pior desde 1976. Faz sentido?
A.J.M.: É o que se chama mandar areia para os olhos das pessoas. Se não fosse incorporado o diferencial do valor dos terrenos de que já falámos, as contas tinham um saldo positivo de mais de um milhão de euros. Mas aquilo tem que ser incorporado. Optou-se por fazê-lo em 2014, mas em 2015 é que vão entrar nas contas da Câmara os activos e os passivos da EMIA. Uma das melhores práticas de Luís de Sousa é procurar fazer as coisas de forma mais realística possível.
F : António Jorge Lopes afirmou: “uma pessoa quando é eleita, é-o em função do Partido pelo qual se candidatou ou, pelo contrário, é eleita em função das suas capacidades? Fica-me a dúvida: caso António José Matos um dia seja eleito pelo PS, eu questiono: chegou ao lugar porque foi candidato pelo PS ou porque efectivamente tem valor? É porque tanto António José Matos como Luís de Sousa perderam as eleições quando foram candidatos pelo PSD”. Queres comentar?
A.J.M.: Dá-me vontade de rir. Com toda a sinceridade, mas mesmo toda: eu não faço a mínima ideia se quero ser candidato a presidente da Câmara algum dia. Não ando a sonhar com isso, nem ando a pensar que dando um aperto de mão a um chefe de família tenho 4 votos. Se decidir ser candidato a candidato, serei. Agora, eu fui vetado várias vezes para uma série de coisas. Se por irmos a votos uma vez e perdermos essa eleição não podemos, ou não devemos voltar a ser candidatos, então esse meu querido amigo que diz isso desde há muito tempo que deveria ter aprendido a lição e percebido que as pessoas não vão à bola com ele. O problema do Jorge Lopes é que nunca me ganhou a nada. Mas eu já percebi que eles andam com medo. Só assim se explica a forma como me atacaram na Assembleia ocorrida em Vila Nova da Rainha. Foram estupidamente indelicados e atacaram-me de todas as maneiras e feitios. Ainda não perceberam que estou aqui com espírito de missão. O caminho que tiver que trilhar, trilha-lo-ei com determinação.

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FONTEEntrevista: Nuno Cláudio
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