Ramos alvo de tentativa de extorsão para evitar divulgação de pretensas tendências homosexuais

Foi o próprio Joaquim Ramos quem colocou um post na sua página do facebook revelando a situação. O antigo autarca de Azambuja é incomodado desde há anos com mensagens de origem desconhecida. Exigem-lhe dinheiro sob pena de divulgarem publicamente as supostas tendências homossexuais do ex-presidente. Ramos diz que o maior dos incómodos é que depois de acordar é um caso sério para voltar a dormir.

Joaquim Ramos diz que o pior é voltar a adormecer depois de ser acordado com as mensagens abusivas...

“De há uns anos para cá, sou periodicamente incomodado por umas mensagens anónimas que me exigem dinheiro sob pena da divulgação pública de pretensas tendências homossexuais minhas”. Foi desta forma que Joaquim Ramos abordou a questão, num post colocado a 13 de Dezembro na sua página pessoal na rede social facebook. O antigo presidente da Câmara Municipal de Azambuja acrescenta, no mesmo post: “É uma tentativa de extorsão feita com todos os cuidados, números anónimos, cartões pré-comprados, horas diferentes”. Joaquim Ramos refere, contudo, que o autor, ou a autora, estará prestes a ser identificado(a) pela Polícia Judiciária: “Ultimamente, no entanto, o (a) autor (autora) cometeu um erro fatal, e suponho que já estará em vias de identificação pela P.J.”, garante. O ex-presidente do município azambujense, retirado desde meados de 2013, assegura que a estratégia não vai resultar: “Escrevo isto no facebook apenas para dizer que não resultará. Estou-me nas tintas para a ameaça”, afirma Joaquim Ramos, que abre o livro e revela o seu ponto de vista em relação à temática em causa. “Para mim (e penso que para a minha família, que tentei educar nesses princípios) a hétero ou a homossexualidade são conceitos artificiais. O que interessa é o amor ou a atracção física e emocional entre duas (ou mais, porque não?) pessoas. E isso não tem nada que ver com o género de cada uma delas…”. O antigo autarca eleito pelo Partido Socialista para a presidência da Câmara de Azambuja confessa que o que mais o irrita é mesmo a hora a que recebe as mensagens: “Mas que me chateia receber mensagens destas às tês da manhã, chateia. Acordo e depois é um caso sério para adormecer”. Recorde-se que Joaquim Ramos foi funcionário da Câmara Municipal de Lisboa durante praticamente 25 anos, onde ocupou cargos de relevo na estrutura da autarquia lisboeta. Entre 1993 e 2001 foi presidente da Assembleia Municipal de Azambuja, tendo sido eleito líder do executivo camarário no primeiro ano do novo milénio, cargo que ocupou até meados de 2013. A poucos meses de terminar o mandato Joaquim Ramos teve um problema de saúde bastante grave, que o deixou às portas da morte, tendo mesmo ficado fisicamente condicionado – a 30 por cento das suas normais capacidades, conforme afirmou o próprio Joaquim Ramos em entrevista concedida ao Fundamental, há precisamente um ano. Ramos conseguiu uma série de três maiorias absolutas para o PS em Azambuja, uma das quais (2009) a maior de sempre desde que há eleições livres no concelho.

A fugazita ao segredo de justiça. A página pessoal de Ramos no facebook é, de resto, uma fonte de deliciosos post’s acerca do antigo autarca de Azambuja. Vale a pena ler o que se segue, publicado no mesmo dia 13 de Dezembro: “Meus queridos amigos: quero partilhar convosco uma grande alegria! Ao fim de mais de três anos, ontem deixei de ser arguido e estar sujeito a termo de residência e identidade, coisas de que já nem me lembrava e a que não liguei a ponta dum corno. Mas vale a pena contar a história, que eu também sou gente e também tenho direito à minha fugazita ao segredo de justiça…e acredito que o Zé Augusto, electricista na Câmara agora aposentado e que andou comigo na escola, não se importará que eu a conte – até porque ele teve, nela, um comportamento exemplar. Primeiro Capítulo: Um dia o Zé foi convocado a ir prestar declarações à Polícia Judiciária porque havia uma carta anónima a dizer que ele tinha andado a fazer trabalhos de electricidade em casa da minha mãe – ao lado da Câmara – em horário de serviço. O Zé Augusto testemunhou o que se passara, e que eu já nem me lembrava: uma manhã, por volta das nove e meia , estávamos à porta da Câmara com mais algumas pessoas, quando a minha mãe apareceu aos gritos que não conseguia ligar a TV. Como eu ia ter uma reunião com umas pessoas que estavam a chegar na altura, pedi ao Zé : Eh pá, passa ali à minha mãe e liga-lhe a televisão – o que o Zé fez – entrou, enfiou a ficha na tomada e carregou no botão (coisa de dois minutos, foi quanto durou a operação). Segundo Capítulo: Fui convocado pela PJ dois dias depois do Zé, para prestar declarações sobre o tema, e repeti a história como ela fora de facto. O Sr Inspector informou-me que a próxima a ser convocada seria a minha mãe – ao que retorqui que nem pensasse nisso, pois mesmo que a convocassem, uma pessoa de 86 anos, eu impediria a sua ida, nem que fosse preso. O Sr Inspector coçou-se, assoou-se, fungou, consultou calhamaços e calhamaços e lá concluíu que afinal dispensava a minha mãe. Saí de lá arguido por uma coisa com um nome jurídico que não me lembro, com termo de identidade e residência e a ter que me apresentar sempre que me ausentasse não sei quantos dias. Nunca lá fui. Terceiro Capítulo: Há três meses, recebo carta do Ministério Público, a dizer que se eu entregasse trezentos euros a uma instituição, arquivariam o processo. Quarto Capítulo: Respondi ao Ministério Público a dizer que obrigadinho, que eu até tenho o hábito, todos os anos, de fazer uma doação de valor superior a duas Instituições do Concelho, mas que, em fase das circunstâncias, não o faria e queria continuar a ser Arguido, situação em que me sentia muito confortável (e sentia, palavra!). Quinto Capítulo: ontem, carta do Tribunal do Cartaxo. Antes de abrir, pensei que ia recambiado, sei lá, para Évora ou Vale de Judeus (eu preferia Évora, que não é tão húmida e nestes tempos deve ser muito mais animada…). Não senhor : num raro gesto de lucidez, o Juiz, ou o Ministério Público, arquivou o processo. Pronto, já não sou Arguido… Tudo se passou com base numa carta anónima que não foi sujeita a qualquer crivo crítico ou tentativa de identificação de autoria. É por isso que eu acho que se deve ter muito cuidado com juízos precipitados sobre casos judiciais que impendem sobre cidadãos, sejam eles políticos ou não…”.

; ;
VIAA.T.
FONTEJoaquim Ramos (facebook)
COMPARTILHAR