
Os moradores do Lugar da Torre, na Freguesia do Carregado, estão desanimados com o estado de degradação a que chegou a sua pacata povoação. Esta situação não é, de resto, diferente da que é vivida pela restante freguesia carregadense, agora unida com Cadafais e denominada União das Freguesias de Carregado e Cadafais. Alguns moradores da Torre entraram em contacto com a redacção do Fundamental e denunciaram aquilo a que chamam de abandono total da pacata povoação, não poupando nem Câmara nem tão pouco Junta de Freguesia. “Para nós é tudo o mesmo; o que sabemos é que quando há eleições aparecem todos aqui a arreganhar a taxa e a fazer promessas que vão arranjar tudo e mais alguma coisa, mas depois… nunca mais ninguém os vê cá”, refere uma moradora, que acrescenta: “veja o estado a que chegou a antiga escola primária, que podia ser aproveitada para qualquer coisa útil, nem que fosse para um centro de encontro e convívio de jovens ou idosos, que muitas vezes nem sabem onde estar quando não têm nada que fazer”. De facto, a antiga escola primária da Torre está absolutamente votada ao abandono, tal como documentam as fotografias registadas no local pela nossa reportagem. “Os ciganos entram lá e dão cabo daquilo tudo; até mete dó ver a escola naquele estado”, conclui a mesma fonte, que acrescenta que por toda a povoação os sinais de degradação e abandono são evidentes, desde espaços públicos cobertos por matagal que não é cortado há tempos incontáveis até ao lixo que se vai acumulando por todos os cantos, dando à Torre um aspecto cada vez mais deplorável.
Junta não consegue fazer mais. Com um orçamento cada vez mais reduzido tendo em conta as competências crescentes, a equipa que governa a Junta de Freguesia de Carregado e Cadafais assegura que é impotente para acudir a tantas responsabilidades. No recente processo de negociação dos apelidados acordos de execução entre juntas de freguesia e Câmara Municipal, a freguesia unida de Carregado/Cadafais partiu para a negociação em causa com uma verba de 123 mil euros. Depois de muito espernear, o presidente da freguesia, José Manuel Mendes, lá conseguiu que a autarquia central chegasse aos 131 mil euros, verba que o Carregado receberá no periodo de 12 meses. Ora, veja-se a diferença: Alenquer partiu para a mesma negociação com 111 mil euros, menos 12 mil do que o Carregado tinha à partida mas, pasme-se, conseguiu convencer Pedro Folgado, o presidente da Câmara, a estabelecer uma verba final de 172 mil euros, mais 41 mil euros do que o Carregado receberá e mais de 60 mil euros em relação à verba inicial, quando à freguesia carregadense apenas esteve destinado um aumento de… 8 mil euros. São estes “pormenores sem importância” que vão revoltando os carregadenses, que percebem o crescente grau de abandono a que a autarquia central vai votando a freguesia. Neste contexto, situações como a da Torre multiplicam-se pelo território carregadense, sem que a Junta tenha meios ao seu alcance para fazer face às naturais expectativas das pessoas. A Câmara Municipal de Alenquer é responsável pela conservação e manutenção dos caminhos municipais e das respectivas bermas, que no território da União de Freguesias de Carregado e Cadafais anda pelas ruas… ou melhor, pelos caminhos da amargura. Trata-se de uma competência da autarquia central que tem vindo a ser deixada ao abandono, o que levou recentemente José Manuel Mendes a manifestar-se publicamente contra o crescente estado de desleixo da câmara em relação à freguesia unida.

“A Câmara de Alenquer não dá respostas às solicitações feitas pela União das Freguesias de Carregado e Cadafais para que os caminhos e as bermas sejam reparados”, queixa-se José Manuel Mendes, presidente da junta desde 2009. Cadafais, Preces, Casais da Marmeleira, Refugidos, Carambancha, Casal Pinheiro, Torre ou Obras Novas são o exemplo de pequenas localidades da freguesia unida nas quais os caminhos tornam-se em muitos casos difíceis de transitar, tal é o volume das silvas e do lixo que se vai acumulando nas bermas. A vila do Carregado escapa a este desleixo generalizado, porque na actualidade a limpeza é assegurada por uma empresa privada, sendo que a própria junta de freguesia faz uma perninha e assegura a limpeza do espaço público junto ao Mercado do Carregado. Segundo José Manuel Mendes, a Câmara sempre teve esta área relativamente devotada ao abandono, mas noutros tempos a junta de freguesia recebia duodécimas e algum apoio material da autarquia central, que ia permitindo aos responsáveis pela freguesia substituirem-se à Câmara na execução destas funções. Mas a situação actual é bem diferente: “As pessoas queixam-se todos os dias, o lixo continua a acumular e nós já enviámos para a Câmara uma quantidade grande de ofícios sobre este assunto, mas não somos correspondidos em termos de eficácia”, afirma José Manuel Mendes, que complementa: “Dizem-nos sempre que está em agenda, ou que se vai fazer, mas a verdade é que não é feito”.

















