PSD de Alenquer: Pedro Afonso e Nuno Henriques em guerra pela candidatura a presidente de câmara

Afonso e Nuno Henriques degladiam-se pela candidatura à Câmara de Alenquer em 2025. Afonso abandonou estrategicamente a concelhia não sem antes assegurar que vai ser convidado a assumir candidatura pelo partido. Já o vereador do PSD dá sinais permanentes de considerar ser recandidato à autarquia daqui por dois anos.

Pedro Afonso desde há muito que alimenta a ambição de ser candidato a presidente da Câmara de Alenquer pelo PSD, partido que liderou localmente nos últimos dois anos. Mas Nuno Miguel Henriques não vai facilitar a vida a Afonso e dá sinais de pretender renovar a candidatura que protagonizou em 2021, quando então apareceu em Alenquer por imposição da Distrital do Oeste do PSD. Quem vai levar a melhor neste braço de ferro interno dos social democratas alenquerenses?

Para já Pedro Afonso deu o primeiro passo no sentido de se colocar a jeito para ser possível candidato, ao abandonar a liderança da Comissão Política Concelhia do PSD de Alenquer. Recordamos que Afonso presidiu à estrutura local do partido nos últimos 2 anos, tendo até abandonado o cargo profissional que desempenhava na OesteSim por considerar que o mesmo era incompatível com a missão de “opositor” a Pedro Folgado. Dois anos depois deixa de presidir à Comissão Política, numa “operação” que Afonso considera estratégica para ser “convidado” a assumir a candidatura laranja à autarquia.

Para o cargo deixado vago por Afonso avança Cristina Inácio a convite do agora ex-lider. Candidata única às eleições internas do próximo dia 23, Cristina Inácio terá a dificil tarefa de manter ativa a estrutura local do PSD, uma missão historicamente exigente num concelho tradicionalmente socialista. No jantar comemorativo dos 49 anos do PSD, no passado mês de maio, Pedro Afonso aproveitou para anunciar o fim do seu ciclo à frente da Concelhia de Alenquer: “Ainda este ano irão existir eleições para a comissão política do PSD de Alenquer; cá estarei, agora sem cargos executivos e apenas como militante de base”, garantiu na altura Afonso.

A verdade é que aparentemente ninguém o ouviu nessa noite. Ou, se ouviu, poucos terão sido os que atribuiram alguma importância às palavras de Pedro Afonso. Foi depois do Fundamental ter noticiado a situação dias mais tarde que a intenção de Afonso começou a ser alvo de alguma curiosidade por parte dos social democratas de Alenquer. Ao mesmo tempo o ainda presidente do PSD local vivia num dilema: queria abandonar a liderança da Comissão Política por considerar que não seria ético presidir ao organismo e em simultâneo auto impor-se como candidato à presidência da câmara.

Mas Pedro Afonso também pretendia assegurar que a estrutura local continuaria ativa e, mais importante de tudo, seria liderada por alguém da sua extrema confiança e que lhe garantisse ser ele próprio o “convidado” a assumir a candidatura à Câmara de Alenquer em 2023. É aqui que entra Cristina Inácio, presumivelmente a primeira senhora a liderar o PSD de Alenquer desde a fundação da concelhia do partido fundado por Sá Carneiro. O problema é que também há… Nuno Miguel Henriques.

O atual vereador do PSD na Câmara de Alenquer foi uma imposição de Duarte Pacheco em 2021 numa altura em que os social democratas de Alenquer viviam dias de indefinição, sem uma estrutura local capaz de escolher um nome para avançar nas autárquicas desse ano. Henriques assumiu o desafio mas nunca colheu muitas simpatias a nível local dentro da “família” social democrata. A verdade é que vai sistematicamente dando sinais de que pretende renovar a sua candidatura à câmara em 2025.

Já este ano Nuno Henriques procurou “tomar de assalto” a Comissão Política, tentando acrescentar um elevado número de militantes oriundos da periferia da grande Lisboa e que pouco ou nada têm a ver com Alenquer. O objetivo passava claramente por dominar a Comissão Política, que em princípio terá uma palavra decisiva na hora de escolher o candidato à presidência da autarquia. Os planos de Henriques falharam pela mão do então ainda presidente Pedro Afonso e os “militantes-figurantes” acabaram por não fazer parte da familia social democrata alenquerense.

Significa este cenário que, à partida, Pedro Afonso está em vantagem para poder vir a ser o candidato do PSD à presidência da Câmara de Alenquer, um cargo com que sonha há anos noite e dia. Sem o dominio da Comissão Política, Nuno Henriques deverá enfrentar muitas dificuldades para conseguir renovar a sua condição de candidato. A não ser que o próprio Nuno Miguel consiga “dar a volta” a Duarte Pacheco e às estruturas nacionais do partido, levando-os de novo a impor o seu nome como candidato, o que a acontecer seria o prenúncio de uma guerra aberta entre PSD distrital e PSD local, um cenário que o experiente Duarte Pacheco muito dificilmente irá permitir que suceda.

Assim sendo, o PSD de Alenquer prepara-se para anunciar daqui por um ano a candidatura de Pedro Afonso à presidência da câmara municipal; é nesse sentido que Cristina Inácio está “instruída” pelo próprio Afonso. A Duarte Pacheco mais não resta do que apoiar a escolha da estrutura local, sob pena de “comprar” um conflito que acabaria por lhe trazer trabalhos e preocupações acrescidas em tempo de autárquicas. Quanto a Nuno Henriques, só motivos do “coração” poderão determinar que fique a viver pelo Carregado, onde afirma residir.


VIANuno Cláudio
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