Lar do Camarnal é conhecido pelo “matadouro” – Autarquia de Alenquer esclarece não ter responsabilidade de fiscalizar instituição

Uma antiga funcionária do Lar Quinta do Mocho no Camarnal fala de um cenário de horror naquela instituição, que é conhecida localmente pelo "matadouro". O caso foi parar à televisão e a autarquia assegura desconhecer o que se passa, relembrando que não tem a responsabilidade de fiscalizar estas instituições.

A Câmara de Alenquer assegura não ter quaisquer responsabilidades quanto ao cenário descrito recentemente num canal televisivo por uma antiga funcionária da Casa de Repouso Quinta do Mocho, no Camarnal. “Face às noticias que têm vindo a ser divulgadas sobre alegadas irregularidades na Casa de Repouso da Quinta do Mocho cumpre-nos informar que não é da competência do município a fiscalização do funcionamento das estruturas residenciais para idosos (ERPI) ou outras similares“, refere a autarquia em comunicado.

Recorde-se que este Lar situado no Camarnal veio a público pelas piores razões. Foi num programa televisivo da SIC apresentado por Hernâni Carvalho que a antiga funcionária Assunção Caneca revelou que o Lar abriu sem quaisquer condições e afirmou ainda que no Camarnal e na região de Alenquer este Lar é conhecido pelo “Matadouro”.

Esta antiga funcionária é moradora no Camarnal e detém fotografias alusivas aos maus tratos infligidos aos idosos utentes desta instituição, fotografias que de resto também já partilhou com a redação do Fundamental e que por serem demasiado chocantes optámos por não as tornar públicas. “Um idoso morreu dentro de um elevador nas mãos dos bombeiros“, disse ainda Assunção Caneca à reportagem da SIC. Já antes tinha afirmado ao Fundamental que é frequente a morte de idosos naquele Lar por serem mal tratados e negligenciados.

A antiga funcionária vive a escassos 50 metros deste Lar e diz que, e citamos, “tudo o que lá se passa é do conhecimento das pessoas da aldeia“. Assunção Caneca fala de negligência grave e grosseira no que toca ao tratamento dos idosos. Fez queixa da situação vivida no Lar à Segurança Social e afirmou que o dono da instituição lhe disse, e citamos de novo, “Não vale a pena fazer queixa de mim porque tenho amigos muito influentes e não me vai acontecer nada“.

Acrescente-se que a Segurança Social respondeu ao fim de um ano à queixa apresentada por Assunção Caneca, confirmando que aquele lar do Camarnal é ilegal e que não possui nem licença nem autorização provisória de funcionamento. “Face ao apurado foram tomadas as medidas adequadas, nomeadamente elaboração de auto de notícia para efeitos de instauração de processo de contra ordenação“, refere igualmente fonte da Segurança Social.

A este propósito a Câmara de Alenquer acrescenta: “As únicas deslocações ao local por parte de elementos do município/Proteção Civil Municipal surgiram a convite da Segurança Social, no âmbito do combate à pandemia covid-19, na fase de rastreio e no âmbito da campanha de vacinação das ERPI e outras estruturas residenciais”.

O comunicado da autarquia também refere: “Nunca chegou ao município qualquer informação sobre maus tratos ou falta de condições de higiene e segurança, sendo que nesse caso teriam sido alertadas de imediato as autoridades competentes”.

Fonte da autarquia garante: “apesar de não ser uma competência do município, no seio da
Rede Social de Alenquer foram já encetados contatos com a Segurança Social no
sentido de a auscultar sobre o assunto em causa, colocando-nos ao dispor para
colaborar em tudo o que for necessário”.

VIAAlexandre Silva
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