Presidente dos Bombeiros de Azambuja: “Estranho não sermos ouvidos na aquisição de equipamento superior a 180 mil euros”

André Salema ainda não deu por concluído o assunto do veículo plataforma adquirido pela autarquia. A compra foi decidida pela Câmara mas o Presidente da Direção dos Bombeiros de Azambuja considera que as corporações do concelho deveriam ter sido ouvidas neste processo.

André Salema ainda não deu por concluído o assunto do veículo plataforma adquirido pela autarquia destinado a servir a Proteção Civil e consequentemente as corporações de bombeiros de Alcoentre e de Azambuja. A compra foi decidida pela Câmara mas o Presidente da Direção dos Bombeiros de Azambuja considera que as corporações do concelho deveriam ter sido ouvidas neste processo.

André Salema referiu já hoje ao Fundamental: “Como é óbvio, o Senhor Presidente da Câmara não é obrigado a dar-me qualquer satisfação acerca das decisões que toma sobre questões relacionadas com a proteção civil municipal ou outras; no entanto, sendo os bombeiros de Azambuja um parceiro fundamental e incontornável no âmbito da atuação do serviço de proteção civil municipal ter-me-ia parecido de bom tom que o Presidente dos Bombeiros de Azambuja e o seu Comando tivessem sido consultados previamente a esta aquisição e que o seu entendimento sobre a mesma tivesse sido levado em conta, o que clara e inequivocamente não aconteceu“, referiu.

André Salema relembrou que a operação com um veículo desta natureza terá de ser efetuada por bombeiros devidamente formados e treinados e sujeita a um protocolo de utilização com a respetiva instituição a que os mesmos pertençam. “Esse protocolo deve salvaguardar diversos aspetos, além de que será absolutamente necessário averiguar a possibilidade de poder haver uma equipa disponível para o fazer, o que nas condições atuais não é matéria fácil. Estes factos, só por si, teriam merecido uma discussão prévia com a instituição que represento“, reforça o Presidente dos Bombeiros.

Salema ainda referiu a este propósito: “É indiscutível que o objetivo será munir qualquer serviço de proteção e socorro aos cidadãos dos melhores meios disponíveis, mas também é verdade que há que definir prioridades numa situação em que existe deficiência noutros equipamentos absolutamente necessários para salvar vidas com uma utilização, infelizmente, muito mais regular“.

O Presidente dos Bombeiros de Azambuja relembrou, e citamos, que “ainda recentemente os bombeiros de Azambuja se viram impedidos de adquirir um novo veículo de desencarceramento para substituir o existente por impossibilidade de assumir os 66000 euros que significava a parte restante que a Câmara se propunha a comparticipar“. Salema relembrou que este veículo já apresenta deficiências que podem pôr em risco até os próprios operacionais, conforme palavras do próprio.

O Presidente dos Bombeiros de Azambuja vai mais longe e questiona mesmo a utilidade permanente deste veículo adquirido: “Tanto quanto me lembro, desde que estou ligado aos bombeiros, e tal acontece desde os meus 14 anos, apenas uma vez um veículo da natureza do que agora foi adquirido pela Câmara foi utilizado num incêndio na Jular e outro em Vila Nova da Rainha, nunca tendo sido necessário em qualquer outra circunstância em que estivessem em risco vidas ou bens dos munícipes de Azambuja“.

A este propósito André Salema ainda reforçou o seu ponto de vista: “As características deste equipamento não permitem que o mesmo opere na maioria do nosso território urbano, dada a área de que necessita para estabilizar; já o velhinho veículo de desencarceramento dos bombeiros é chamado a intervir com uma frequência que gostaríamos que fosse menor, mas que a realidade obriga a ser diferente e lá vai cumprindo a sua função de salvar vidas… até um dia“.

O Presidente dos Bombeiros de Azambuja refere igualmente a sua dúvida quanto à oportunidade da aquisição do veículo: “Neste critério de prioridades não será despiciendo mencionar que a preocupação de defender as empresas do parque logístico será legítima, mas não deverá nunca sobrepor-se à preocupação pela defesa de quantos têm sofrido e sofrerão acidentes de viação, em grande parte devidos ao trânsito de veículos pesados motivado por essas empresas, e por cuja solução ainda não me apercebi que houvesse da parte daquelas grande vontade em resolver ou minorar“.

André Salema fez questão de deixar claro que a Câmara de Azambuja tem sido um parceiro muito importante para os Bombeiros de Azambuja, sem a ajuda e colaboração da qual muitos objetivos da corporação não teriam sido possíveis de alcançar. “No entanto, e até pela colaboração que temos mantido, nada me impede também de manifestar a minha estranheza quando ao facto de os Bombeiros de Azambuja não terem sido ouvidos nesta aquisição que significou um investimento superior a 180000 euros e ainda a minha opinião acerca da adulteração de prioridades que a mesma significa para mim“, remata o Presidente dos Bombeiros de Azambuja.

VIAAlexandre Silva
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