E depois da pandemia?

Opinião de Nelson Neves - Especialista em recuperação de empresas

Portugal e o resto do mundo foram surpreendidos por algo invisível que tem vindo a destruir e a matar de forma avassaladora; chamaram-lhe “Coronavirus”.

Nesta fase, de choque e turbulência, são tomadas medidas sanitárias e económicas à pressa e de forma conturbada; faz-se o que se pode, com a intenção de impedir o crescimento dos problemas: o de saúde e o económico (porque passaram a andar juntos).

No que respeita à parte económica, embora estejam a ser implementadas medidas governamentais conducentes à protecção da economia com a concessão de moratórias e formas alternativas de suspensão do cumprimento de obrigações, medidas de apoio à manutenção dos postos de trabalho, subvenções de apoio à tesouraria (embora até ao momento não se conheçam medidas que contemplem qualquer apoio não reembolsável), há que encarar a necessidade de minimizar os efeitos desta calamidade e voltar para uma economia, necessariamente diferente, mas que urge recuperar.

No nosso país, há cerca de dois meses eram anunciados dados de crescimento económico e de tendência para o equilíbrio do défice; passou a ser tudo mentira – agora estuda-se a forma de os bancos (porque parece ter chegado a sua vez) definirem o método de ajudar as empresas e as famílias no financiamento da recuperação económica, sem colocar em crise o sistema financeiro dado que o incumprimento de muitas famílias e empresas é inevitável.

Tudo isto porque a incerteza quanto ao futuro é muito grande e não houve tempo (nenhum) para preparar esta crise que não desaparecerá à velocidade que apareceu, embora pareça que a recuperação não será lenta como na crise que vivemos anteriormente.

Acresce o facto de praticamente nenhuma empresa neste momento estar com a sua laboração normal; umas estão paradas, por força de determinação legal ou simplesmente porque as cadeias de abastecimento das mesmas foram interrompidas, outras estão com laboração parcial, muitas em regime de teletrabalho (nos casos em que tal se afigura possível) com o assegurar, muitas vezes, dos serviços mínimos.

É o momento de idealizarmos o nosso futuro (novo) para voltarmos à normalidade (também nova), quer na perspectiva da erradicação do vírus (que só com uma vacina será possível), quer na perspectiva da (também nova) economia com que nos depararemos.

Não nos podemos alhear do facto de muitos dos sectores que contribuíram para o crescimento económico dos últimos anos estarem neste momento em recessão profunda e alguns sectores aos quais era dada menor importância, estarem a assumir um relevo enorme e a tornar-se fundamentais para as nossas vidas.

Isto significa que é fundamental a introdução de mudanças sociais na nova era em que viveremos (formas de ensino, formas de trabalho, modo de vida, cadeias de decisão e articulação entre instituições e mesmo entre os estados membros da União Europeia, também esta a ser “repensada” com vistas a fazer jus à sua denominação).

Por fim, e para melhor prosseguirmos e nos adaptarmos, sabemos que vencemos a crise anterior e o que ela nos ensinou, ajudar-nos-á a vencer esta – há que aproveitar o que aprendemos e evitar cometer erros semelhantes aos cometidos anteriormente.

Afinal, que futuro desejamos para a nossa indústria, para o nosso turismo e serviços, para a nossa agricultura? A nossa capacidade de adaptação e as circunstâncias que vivemos levarão a mudanças decorrentes da crise que conduzirão a uma evolução na educação, na inovação, na tecnologia e nos valores, sem precedentes.

E a recuperação financeira das empresas após a pandemia terá que ser capacitada pela união de esforços entre todos os credores, após cada empresa (re)desenhar (sempre com a necessária assessoria) o modelo de evolução e de crescimento que lhe é aplicável, sendo que as figuras de recuperabilidade à disposição das empresas no nosso país carecem de urgente adaptação à situação vigente, com vista à prevenção de uma onda gigantesca de insolvências com consequente liquidação do tecido empresarial, nomeadamente as micro e pequenas empresas, tão importantes no tecido empresarial do nosso pais.


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VIANelson Neves
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