Pedro Custódio: feitos públicos de “Calhau” são património imaterial de Aveiras de Cima

Pedro Custódio é inegavelmente uma figura pública. Natural e residente em Aveiras de Cima, este ainda jovem de 35 anos faz a diferença devido a uma muito peculiar forma de viver a vida. Vamos contar-lhe com pormenor e ao longo dos próximos dias quem é, afinal, o Pedro "Calhau".

Pedro Custódio é inegavelmente uma figura pública. Natural e residente em Aveiras de Cima, este ainda jovem de 35 anos faz a diferença devido a uma muito peculiar forma de viver a vida. Esteve no centro da polémica relacionada com a pedofilia porque era aluno da Casa Pia, no início deste século. Diz que assistiu aos “feitos” do tristemente afamado Rei Ghob de Torres Vedras, e mais recentemente até assegurou que estava presente quando Luís Grilo foi assassinado. Tem sempre direito a televisão ou espaço nos “midia“. Mas, afinal, quem é Pedro Custódio?

Vamos recuar no tempo, até ao inicio dos anos noventa. Pedro Custódio teria pouco mais de dez anos e já dava nas vistas em Aveiras de Cima por furtar tudo o que lhe aparecesse pela frente. Até as esmolas deixadas na Igreja Matriz de Aveiras foram alvo da cobiça deste aventureiro, e o facto foi notícia no Fundamental, já nessa altura. Estavamos no ano de 1995. Depois os roubos do Pedro foram evoluindo para patamares, digamos, mais volumosos. Acabou detido e passou alguns anos no Estabelecimento Prisional de Alcoentre.

Inês Louro foi a advogada de Pedro Custódio em muitos processos. Solicitada pelo Fundamental, Inês conta: “Os primeiros contactos que tive com o Pedro foram na GNR de Aveiras de Cima em interrogatórios, era ele menor de 21 anos, e por essa razão tinha que ter obrigatoriamente a presença de advogado“. Inês acrescenta: “Confesso que a empatia foi mútua, da minha parte porque vi nele um miúdo; ou seja, não era um criminoso dito “normal”. E da parte dele penso que também houve essa empatia, porque recebeu de mim alguma atenção e disponibilidade que não encontrou em outros“.

Ora, parece que é precisamente aqui que reside o “problema” maior de Pedro Custódio: défice de atenção. Desta forma, faz tudo o que estiver ao seu alcance para estar debaixo dos holofotes da fama. “Estamos a falar de uma personalidade que tem uma necessidade de atenção elevadíssima, talvez porque nunca a teve no seio da família“, refere a advogada Inês Louro, que até conta mais episódios da vida deste singular habitante de Aveiras de Cima.

Como aquela fase em que trabalhou no MacDonald’s, no Carregado. “Adorou esse trabalho“, garante Inês Louro, que acrescenta: “Inquirido pela Juiz sobre a razão porque gostava tanto do seu trabalho, o Pedro respondeu: “porque me dão um hambúrguer e uma coca-cola todos os dias”. A advogada recorda, e citamos: “nessa audiência de julgamento, a seguir à sua resposta, fez-se um tempo de silêncio“. Esta é a pureza que encanta em Pedro Custódio, que investiu o seu primeiro ordenado do MacDolnald’s num fato, camisa e gravata. Foi desta forma vestido que passou a ir todos os dias para o trabalho, e era frequente vê-lo à boleia na EN3.

Ainda a propósito desta fase em que trabalhou no MacDonald’s, Inês Louro acrescenta: “O Pedro num dia, para comparecer na audiência de julgamento, tinha ido com mandatos de detenção que foram cumpridos no seu local de trabalho. E o mesmo Pedro implorou à Juiz para que tal não voltasse a acontecer, alegando que ainda o despediam. Disse também orgulhosamente que tinha um telemóvel e quando a Juiz precisasse de falar com ele para fazer o favor de lhe ligar“. E é isto. O Pedro, o nosso Calhau, um misto de ingenuidade mas também de alguma… genialidade.

Amanhã voltaremos a contar-lhe mais histórias de Pedro Custódio, muitas delas reveladas pela advogada Inês Louro, causídica que acompanhou este rapaz de Aveiras de Cima em muitos processos ao longo dos anos. Acredite que são diversas e interessantes as revelações que estão para vir. Fique atento ao Fundamental.


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Pedro Folgado garantiu hoje no Fundamental Canal que não vão acontecer cortes no fornecimento de água devido a não pagamento de facturas no Concelho de Alenquer. Uma entrevista concedida ao jornalista Nuno Cláudio para ver aqui, já de seguida.

VIAAlexandre Silva
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