#TriazaOut

Opinião de Gonçalo Ferreira - Coordenador da Juventude Socialista de Azambuja

No que concerne à actualidade político-social do município de Azambuja, o dia de ontem ficou marcado pelas noticias relativas ao facto da Triaza, empresa que gere o Aterro da Queijeira, não permitir que a comissão de vistoria composta por técnicos da Câmara Municipal de Azambuja exerça a função para a qual foi constituída, porquanto lhe veda o acesso às suas instalações.

É premente relembrar que esta comissão de acompanhamento (que integra especialistas nas áreas do ambiente, arquitectura e fiscalização) foi constituída e empossada pelo município de Azambuja, na pessoa dos autarcas que foram eleitos mediante sufrágio democrático, directo e universal, pelo Povo deste concelho.

Isto é importante para percebermos que, em última instância, esta comissão de acompanhamento representa todos os munícipes de Azambuja. E representa-nos, neste caso, na nossa pretensão de saber e acompanhar com transparência e objectividade, a actividade de uma empresa que coloca em risco o ambiente e saúde pública de todo um município, e que, como se não bastasse, põe em risco as gerações vindouras, fazendo perigar o nosso futuro enquanto comunidade!

Qual foi o meu espanto quando, numa pesquisa pelo site da Triaza, vi que a mencionada entidade coloca no âmbito da sua missão e valores, o “envolvimento das partes interessadas;” Pasmei-me! Porque, ou esta empresa considera que a população deste município não é “parte interessada” no que diz respeito à exploração que a empresa faz do Aterro da Queijeira; Ou, não menos grave, não cumpre com aquilo que ela própria elege como sendo a sua “Missão” e os seus “Valores”!

De resto, já não é a primeira vez que os nossos autarcas, e por isso, toda a colectividade que os mesmos representam, são maltratados por tentarem acompanhar e fiscalizar alguma da actividade (alegadamente) menos transparente desta empresa. Recordo-me que ainda há cerca de uma semana, foi noticiado neste mesmo jornal que um vereador e uma presidente de junta, depois de se terem apresentado perante os sues agressores como tal, foram apedrejados “sem rei nem rock”.

Enquanto munícipe e freguês de Azambuja, sinto-me eu próprio, na pessoa dos meus representantes nessa qualidade, agredido! Agredido é também o que me sinto todos os dias que saio à rua e me deparo com o cheiro nauseabundo e com os excrementos que os nossos (novos) visitantes de duas asas vão deixando pelas ruas e afins, nas viagens que fazem ao quartel general da Triaza.

E sim, utilizo a palavra “agredido” com toda a sua propriedade e materialidade etimológica, uma vez que o direito a um ambiente sadio e ecologicamente equilibrado são direitos que me assistem enquanto cidadão deste País, e que não estão a ser respeitados por parte desta entidade privada.

Assim sendo, caros munícipes, está na hora de não permitir que nos agridam mais! E se é verdade que nunca se deveria ter permitido que uma empresa com este objecto social se instalasse nos territórios do nosso concelho, está na hora, mais do que nunca, de nos unirmos e mostramos que nenhuma entidade, seja ela qual for, pode sobrepor os seus interesses económicos ao direito que todo um Povo tem a um ambiente são e ecologicamente equilibrado. Acima de tudo, não podemos tolerar que nenhum interesse patrimonial subjugue o nosso direito a ter um futuro nos territórios a que pertencemos e onde habitamos!

Deixemos as nossas diferenças de parte e unamo-nos para mostrar a fibra própria das gentes da Terra Velhinha. Afinal, se a Triaza não quer que os representes do Povo de Azambuja acompanhem e fiscalizem a sua actuação, porque é que esse mesmo Povo tem de querer a Triaza no seu concelho? Juntos fecharemos o Aterro!

 


VIAGonçalo Ferreira
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