Alenquer: Canil Municipal exige dinheiro para receber cadáver de gata de rua

A cidadã Isabel Silva recolheu o cadáver de uma gatinha de rua e resolveu proporcionar ao animal um fim digno no Canil Municipal de Alenquer onde considerou que o mesmo seria recolhido sem entraves, mas no Canil Municipal pediram a Isabel 11,18 euros para aceitar os restos mortais do animal.

A malograda gatinha, acompanhada por Cristina Ponte, uma figura pública do município de Alenquer ligada ao atletismo de alta competição,

Poderá acontecer a qualquer munícipe de Alenquer. A cidadã Isabel Silva recolheu o cadáver de uma gatinha de rua e resolveu proporcionar ao animal um fim digno: levou o corpo do felino ao Canil Municipal de Alenquer onde considerou que o mesmo seria recolhido sem entraves ou exigências. Puro engano, já que no Canil Municipal pediram a Isabel Silva a quantia de 11,18 euros para aceitar os restos mortais do animal.

A senhora recusou pagar esta quantia, até porque entende estar a prestar um serviço de interesse público retirando os restos mortais do animal da rua. Refira-se que, segundo Isabel Silva, o felino provem de uma colónia de gatos que vivem nas ruas, mais concretamente na zona da Avenida António Maria Jalles, uma das artérias principais da vila de Alenquer. Esta exigência financeira por parte do Canil Municipal indignou Isabel, que resolveu recorrer ao Fundamental para expor publicamente o caso.

De acordo com o testemunho de Isabel, e citamos, “a minha indignação deve-se ao facto de eu ter recolhido o cadáver, ter ido entregá-lo ao canil, ter informado a funcionária que a gata provinha de uma colónia de gatos existente na Avenida António Maria Jalles em Alenquer e esta me ter dito que teria de pagar 11,18 euros para que recebessem o animal”, reforça a nossa interlocutora, que garante ter apresentado a ocorrência na GNR de Alenquer. “Disseram-me que não podem fazer nada”, acrescentou.

Ainda sobre esta situação, Isabel refere: “Deixei o cadáver da gata dentro de uma caixa de papelão, em frente ao número 73 da referida avenida, e liguei ao canil eram 14 horas e 30 minutos a informar para recolherem o corpo da bicha como é obrigação da autarquia, mas ou muito me engano ou ainda estará tudo como deixei”. Esta mensagem foi enviada ao Fundamental por Isabel pelas 17 horas e 20 minutos desta sexta-feira.

Isabel Silva vai mais longe e não cala a sua revolta: “Esta situação configura um flagelo público, que por lei é responsabilidade da autarquia resolver, mas em Alenquer não só nada fazem como inclusive dificultam a vida a quem quer ajudar a resolver o flagelo”, desabafa Isabel, visivelmente incomodada com esta situação.

A fotografia que apresentamos nesta reportagem retrata a malograda gatinha, acompanhada por Cristina Ponte, uma figura pública do município de Alenquer ligada ao atletismo de alta competição, campeã nacional de duatlo e de trail em 2016 e ainda medalha de bronze nos 5000 metros nos Campeonatos Mundiais de Atletismo para trabalhadores (através do Inatel) disputados no Brasil. Cristina Ponte é também Mestrada em Osteopatia e trata de vários atletas de competição.

Tal como Isabel Silva, Cristina Ponte faz parte de um grupo de alenquerenses que se preocupa com a causa animal. Segundo Isabel explicou ao Fundamental, e voltamos a citar, “este grupo prontificou-se para colaborar com a Câmara de Alenquer na implementação do programa CED (Captura, Esterilização, Devolução); o vereador mostrou-se sempre muito solícito e aparentemente cheio de vontade de começar com as esterilizações dos animais, inclusive disse em reunião que as obras no gatil já estavam prontas, mas segundo parece tal não corresponde à verdade”.

O vereador aqui em causa é Paulo Franco. O Fundamental endereçou ao governante um conjunto de perguntas sobre os assuntos em causa nesta reportagem, mas até ao momento da publicação deste artigo não recebemos qualquer resposta. De qualquer forma o Fundamental estará sempre disponível para, a qualquer momento, divulgar a posição de Paulo Franco acerca dos assuntos integrantes deste artigo e sobre os quais foi questionado.


VIAAlexandre Silva
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