Carregado: funcionárias da Câmara de Alenquer ameaçadas por elementos de associação polémica

Funcionárias e voluntários do Espaço Barrada sentem-se inseguros e até já foram ameaçados de morte por elementos ligados à AMCEI, uma associação patrocinada pela autarquia de Alenquer que funciona neste imóvel camarário onde está instalado o Espaço Cidadão. A polícia já foi chamada ao local e as queixas dos vizinhos são uma constante.

Paulo Franco, vereador da Câmara de Alenquer e mentor da associação AMCEI

É mais uma dor de cabeça para o Carregado. Funcionárias e voluntários do Espaço Barrada sentem-se inseguros e até já foram ameaçados de morte por elementos ligados à AMCEI, uma associação patrocinada pela autarquia de Alenquer que funciona neste imóvel camarário onde também está instalado o Espaço Cidadão. A polícia já foi chamada ao local e as queixas dos vizinhos são uma constante.

Paulo Franco, vereador, e Nuno Dias, presidente da AMCEI

A AMCEI é a Associação Multicultural para um Carregado mais Empreendedor e Inclusivo. Funciona sediada num imóvel da Câmara de Alenquer, situado na Urbanização da Barrada, no Centro Comercial Palmeiras. No mesmo local, denominado Espaço Barrada, está também instalado desde Fevereiro o Espaço Cidadão. Neste local trabalham funcionárias públicas a tempo inteiro e nele diariamente prestam serviço alguns voluntários no âmbito de diversos projectos de cariz social.

Esta AMCEI foi criada em Agosto de 2017 e tem o alto patrocínio da autarquia de Alenquer e em concreto do vereador Paulo Franco. No entanto, as queixas em relação aos comportamentos dos dirigentes da AMCEI têm sido muitas, algumas das quais chegaram ao conhecimento da nossa redacção nas últimas semanas. Esta associação não apresentou quaisquer contas da sua actividade até à data, mas os seus dirigentes alugam o espaço público onde está sediada para festas supostamente privadas, cobrando quantias que podem ir até aos 150 euros.

Ou seja, enquanto a Câmara de Alenquer suporta despesas com a água, luz e manutenção do espaço, os dirigentes da AMCEI alugam o mesmo espaço público a título particular e cobram pelo aluguer do dito imóvel da autarquia. O que viola claramente o protocolo estabelecido entre a edilidade e a própria associação, no qual se pode ler: “(A AMCEI) não deve proporcionar a terceiros o uso do espaço, salvo autorização prévia da câmara municipal”.

Mas as queixas em relação a esta associação vão mais longe: um voluntário, de nome Jorge, terá sido ameaçado de morte por um elemento ligado à AMCEI, ameaça que deu origem a que a GNR de Alenquer fosse chamada ao local. O caso ocorreu a 20 de Fevereiro. Quando Jorge apresentou o caso a Paulo Franco, o vereador da Câmara de Alenquer terá aconselhado o voluntário… a evitar aparecer no local.

De referir que os elementos da AMCEI têm em seu poder as chaves de praticamente todas as portas do Espaço Barrada, o imóvel da câmara, e fazem uso do mesmo a qualquer hora, inclusive da noite. Testemunhos recolhidos pelo Fundamental no local, junto de moradores e até de alguns lojistas, atestam que o movimento é constante: “É um entra e sai a toda a hora, mesmo a horas impróprias”. Suspeita-se até de negócios ilícitos.

De acordo com uma testemunha ouvida pelo Fundamental, “esta associação comporta-se como dona do imóvel da câmara, adoptando uma postura de agressividade quer para com os voluntários que frequentam aquele espaço quer para com as funcionarias da câmara que ali trabalham”.

Refira-se igualmente que a constituição da AMCEI foi financiada pela Câmara de Alenquer. Esta associação não apresentou, pelo menos publicamente e até ao momento, quaisquer contas, acta de tomada de posse ou sequer referiu a aprovação de novos sócios. São conhecidos somente três elementos na sua direcção: o presidente Nuno Dias, com morada declarada na Brandoa (Amadora), o vice-presidente Sene Dabó, com morada declarada nas Cachoeiras, e ainda Marisa Lopes, supostamente companheira do presidente Nuno Dias.

De acordo com a nossa testemunha, muito bem identificada mas que pediu o anonimato com receio de represálias, este trio de dirigentes terá alugado a terceiros por diversas vezes as instalações camarárias durante o ano de 2018. “Alugaram o espaço para festas de cidadãos brasileiros, cabo verdianos, guineenses e angolanos residentes no Carregado, mas a sua clientela maioritária era oriunda da Amadora e da Brandoa e bairros daquela zona”, garante a mesma fonte.

Os dirigentes da AMCEI também são acusados de abusar do cargo que ocupam: “as suas famílias vão a instituições, a supermercados e a cafés pedir em nome dos carenciados, mas depois escolhem o que lhes convém para seu proveito e o resto fica no espaço da câmara, muitas vezes até apodrecer e ser deitado fora”.

Produtos como pão, fruta e bolos são consumidos na associação por quem frequenta aquele espaço da autarquia, assim como se se tratasse da extensão das suas próprias habitações. O que não é consumido apodrece até ir para o lixo, como já aconteceu a 10 quilos de fruta e a cerca de 15 quilos de pão bolorento.

Ainda de acordo com a nossa testemunha, que é morador no prédio contíguo ao Centro Comercial Palmeiras, e citamos, “neste momento duvido que o vereador ou alguém da câmara saiba quantos elementos e amigos da associação detém as chaves de uma instalação que pertence à Câmara Municipal de Alenquer”, garante.

De acordo com Paulo Franco, “A câmara decidiu atribuir este espaço à associação porque acha que poderá ser importante para a comunidade e sobretudo para o projecto que a câmara municipal está a desenvolver e que se intitula Carregado + Empreendedor e Inclusivo”. Ainda de acordo com o vereador, “todos sabem, incluindo a própria associação, que o espaço em questão é da Câmara”.

 

VIAAlexandre Silva
COMPARTILHAR