

Pedro Folgado é claramente ainda mais politicamente burro do que eu na verdade julgava. Esta minha opinião, em jeito de conclusão, vem a propósito das declarações do presidente acerca da instalação no Carregado da loja Pingo Doce que, tudo indica, abrirá antes do Natal. Afirma Pedro Folgado que esta futura superfície comercial trará mais emprego para o Concelho de Alenquer e concretamente para a Freguesia do Carregado, e diz ainda Pedro Folgado que uma estrutura desta natureza não contribui para acabar com o comércio tradicional.
Com toda a franqueza e convicção, e na minha muito modesta opinião, Pedro Folgado é burro mesmo. Politicamente falando, como é evidente. É possivelmente o político mais limitado que vi nas autarquias em toda a minha vida de jornalista. Já tive o infeliz privilégio de conviver com corruptos, patetas e outras pragas que tais para as populações, mas nunca com um presidente de câmara com tão pouca capacidade de analisar o que se passa à sua volta na perspectiva do interesse dos seus cidadãos como este Folgado. Basta andar na rua e falar com as pessoas, com os fregueses, com os munícipes, para perceber que Pedro Folgado não vive neste mundo, no mundo das dificuldades dos comerciantes, no mundo das lojas e dos cafés vazios, dos espaços comerciais ao abandono, das contas para pagar a todos e mais alguns sem que para fazer frente a tal cenário hajam fregueses, clientes, receitas. Folgado vive num planeta que é só dele, o Planeta Folgado; vem do sector do ensino, onde recebia a tempo e horas, com subsídios de férias e de natal incluídos. Passou para a autarquia, onde recebe a tempo e horas, onde continua a ter subsídios e ajudas de custo para tudo e mais alguma coisa, incluindo choufer, carro de serviço, secretária e chefe de gabinete. Como é que uma pessoa que vive num mundo à parte como este percebe alguma coisa das dificuldades dos seus concidadãos? Percebe nada de nada, porque no Planeta Folgado tudo lhe aparece como que por magia. Por essa razão, abre as pernas ao capitalismo das grandes superfícies e ajuda a afundar o concelho, que os seus correligionários de partido têm conduzido à desgraça e à ruina desde que há eleições livres. Os empregos de que Folgado fala mais não serão do que aqueles que ficarão sem emprego nas lojas tradicionais e até mesmo nas restantes grandes superfícies, que terão de dispensar colaboradores para combater a redução óbvia de receitas (será que um antigo professor, formador dos homens e mulheres do futuro, não sabe fazer contas destas, tão simples de intuir?). Vantagens para o povo? Mais uma opção para gastarem o que têm e o que não têm, muitas vezes no que até nem precisam. Não faz mossa no comércio tradicional? Se Pedro tivesse coragem de fazer um périplo pelas lojas de rua e ouvisse os comerciantes de Carregado e Alenquer iria constatar o quanto fica longe a galáxia onde gravita o seu imaculado Planeta Folgado.
Alenquer está impregnada de uma maldição que vem dos tempos do outro senhor. As vilas de Alenquer e Carregado estão mortas, o comércio definha e as grandes superfícies sacam o dinheiro dos habitantes do concelho para o levar para outras paragens – é que nem cá pagam impostos. Pobre Alenquer: entre corruptos e politicamente burros, venha o diabo e escolha.


















