“O W-Shopping é uma das entidades empregadoras com maior expressão no distrito de Santarém”

O W-Shopping domina o centro da cidade de Santarém. Tem 65 lojas, uma área de 12500 metros quadrados e 600 lugares de estacionamento, que dão apoio também a um supermercado, a 6 salas de cinema e a diversos estabelecimentos de restauração. Rui Rosa, sobejamente conhecido na sociedade alenquerense, é o Director Geral desta mega-superficie comercial da cidade scalabitana, sede de distrito.

Rui Rosa, Manager do W-Shopping desde 2010.

Penso que poucas serão as pessoas que imaginam o trabalho e a quantidade de aspectos que giram em torno da direcção de uma estrutura comercial como o W-Shopping. Estou a falar com a pessoa certa para elucidar os leitores do Fundamental sobre esse desafio permanente.
Desde logo o desafio passa em permanência por tentar atrair novos lojistas e por manter a dinâmica do centro tendo em vista atrair novos clientes. Depois há que manter toda uma rectaguarda de apoio técnico ao nível do que é a segurança, a manutenção dos espaços verdes, a limpeza, manutenção dos sistemas de frio e de calor, de forma a que as pessoas se sintam sempre confortáveis. Para além de tudo há que manter os lojistas o mais satisfeitos possíveis, o que requer uma atenção diária permanente, de forma a estabelecer as melhores parcerias para que os contratos se mantenham activos e perdurem no tempo. Estamos ligeiramente acima dos 90 por cento na taxa de ocupação, o que é expressivo nos tempos que correm.
Quantas pessoas trabalham nesta extrutura de manutenção e dinamização do W-Shopping?
A equipa de gestão tem 7 pessoas afectas ao projecto. Depois há a equipa de segurança, a equipa de manutenção e limpezas, e cerca de 300 funcionários no total das lojas, o que me agrada muito de registar, aumentando a minha responsabilidade no tocante à manutenção e dinamização deste espaço. O W-Shopping é uma das entidades empregadoras com maior expressão no distrito de Santarém.
Deve ser um desafio interessante combater a falta de poder de compra generalizada com um centro atractivo às pessoas.
É verdade. Nós temos registado um crescimento em relação ao tráfego, e alguma quebra em volume de vendas, embora com pouca expressão, sendo que essa tendência de quebra é transversal a todos os centros comerciais. Este é um centro pequeno onde estão todas as grandes marcas, e hoje em dia essa oferta é mais apreciada pelas pessoas de Santarém e da região, que outrora se deslocavam com mais frequência a outros centros na capital.
De onde vêem os clientes do W?
Vêm sobretudo dos concelhos limitrofes: para além de Santarém, do Cartaxo, de Azambuja, de Salvaterra, de Almeirim, de Torres Novas, da Golegã e da Chamusca, do Entroncamento. É um centro que mantém um comportamento equilibrado de tráfego entre os dias de semana e o fim de semana, quando então a circulação de pessoas cresce cerca de 5 a 10 por cento. No ano passado, o W-Shopping teve um total de visitantes que se situou nos 3 milhões e 200 mil, o que é expressivo.
Que momentos marcantes podem ser identificados desde que o Rui Rosa é Director Geral do W-Shopping?
Há de facto três momentos marcantes que podem ser associados à nossa entrada para gerir este espaço. Um deles tem a ver com a negociação com uma insignia de qualidade, a C&A, que é uma das âncoras que temos, uma loja com cerca de 1700 metros quadrados. O segundo factor está ligado à remodelação de toda a área de restauração, que mereceu um investimento grande, com a criação de diversos ambientes, diversos espaços com diferentes públicos e objectivos. E criámos no primeiro andar um espaço interactivo com tecnologias de ponta, adequado aos tempos que correm, e simultaneamente melhorámos o átrio principal, com a aplicação de materiais mais nobres nas obras de requalificação que empreendemos. Neste momento estamos a investir na requalificação de todas as instalações sanitárias, sobretudo nos espaços destinados a pessoas com mobilidade reduzida, instalações sanitárias familiares e fraldários, criando condições mais modernas e de maior atractividade.
De onde surgiu esta vocação para dirigir espaços comerciais de grande dimensão, uma vez que sobretudo as pessoas da região de Alenquer sempre conheceram o Rui Rosa ligado aos serviços administrativos de uma grande e prestigiada empresa sediada no Carregado?
Há cerca de 13 anos surgiu o convite para integrar a administração do centro Campera, no Carregado, e a partir daí ficou esse gosto pelos centros comerciais. Foi um crescendo de trabalho e de empenho, até porque no projecto anterior eu coordenava a gestão de outros projectos que faziam parte do mesmo portfólio desse grupo.
Esta responsabilidade obriga o Rui Rosa a estar permanentemente atento ao que se faz nos outros centros? Entra nos outros espaços comerciais sempre atento àqueles pormenores que escapam à maior parte dos visitantes comuns?
A nível nacional acredito que conheço 90 a 95 por centro dos centros comerciais. A nível europeu conheço muitas realidades em Espanha, França, Itália, Suiça. No que toca a entrar num centro e a reparar em pormenores que as pessoas no geral não reparam, tal acaba por ser um bocadinho irritante porque sinto que estou permanentemente a olhar para aquilo que não é visivel em estado de distracção natural.
Durante muitos anos o Rui esteve ligado à política no concelho de Alenquer, e ouviu nessa qualidade os queixumes dos pequenos e médios comerciantes sobre a concorrência das grandes superficies. Agora o Rui Rosa está a dirigir uma grande superficie. Como lida com essa situação?
Falo dessa situação com um grande espírito de segurança e até alguma propriedade de discurso. Estive durante dez anos na administração do Campera e durante esse periodo fiz parte da direcção da Associação Comercial e Industrial do Concelho de Alenquer, porque queria acrescentar alguma coisa à dinâmica dessa associação. Admito que a nível nacional hajam centros comerciais em demasia, e que isso venha contribuir para esmagar o comércio tradicional. É algo que me choca, de algum modo, essa perca da dinâmica da vida da cidade. Mas a questão que eu coloco é esta: os pequenos comerciantes fizeram tudo o que estava ao seu alcance para se modernizar, alterar horários, investir no vitrinismo ou mudar a dinâmica dos preços? Não se prepararam, foram persistentes em relação a um modelo que foi ultrapassado pela mudança de paradígma.
O Rui Rosa imagina-se a regressar aos serviços administrativos de uma fábrica?
Desde há 13 anos que a minha vida são os centros comerciais e não me imagino, de facto, fora deste registo neste momento.
É quase que como dinamizar uma autarquia…
Exactamente. É uma boa comparação, salvas as devidas dimensões. Passa por planificar, por criar, por manter espaços verdes, passa por gerir, por tornar atractivo e chamativo.
O Rui já passou por uma autarquia. Vê a possibilidade de regressar a uma função dessa natureza?
Quem sabe? Estou com 51 anos e se algum dia surgir um convite atractivo, será sempre um caso a considerar. Atrai-me poder dar um contributo para o crescimento e a dinâmica do nosso município, Alenquer. Acredito que faz falta esse espírito de dinâmica.

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