António Rodrigues: “Não sou fã das touradas mas tolero as largadas de toiros”

António José Rodrigues foi presidente do executivo da edilidade azambujense entre 1982 e 1985 e tem contribuido para a vida autárquica local desde então e de forma ininterrupta. O Fundamental convidou o advogado de Manique do Intendente a opinar sobre a Feira de Maio.

António José Rodrigues

António José Rodrigues dispensa grandes apresentações. Boa parte da sua vida tem sido ligada às autarquias, com contributos ao nivel da Câmara e da Assembleia Municipal de Azambuja. Foi presidente do executivo entre 1982 e 1985. O Fundamental convidou o advogado de Manique do Intendente a opinar sobre a Feira de Maio.

FQual é a opinião que sustenta acerca do cartaz de promoção da Feira de Maio, cujo aspecto gráfico tem provocado alguma discussão?
António José Rodrigues – Quanto ao cartaz, devo concordar com algumas opiniões dos que não gostam da sua global abstração, pois penso que o cartaz poderia combinar alguma abstração modernista com motivos fotográficos tradicionalistas apelativos ao evento. Assim, os ditos cartazes, deveriam refletir também o património histórico de todo o concelho de Azambuja, tendo em vista promover as freguesias e as povoações na sua globalidade, alterando os motivos de ano para ano.

FEntendo que gostaria de ver um certame de temática mais abrangente a todo o concelho?
António José Rodrigues – Continuo a considerar que a Feira de Maio deve continuar no futuro, mas abordando motivos diversificados de todo o território municipal.

FComo avalia a organização da Feira de Maio por parte da autarquia de Azambuja? É um apreciador do espírito deste evento?
António José Rodrigues – Relativamente à organização, dimensão e espírito do evento, estou em crer que os que se dedicam a esta se esforçam para fazer sempre o seu melhor possível. Mas sobre espírito do evento, na mesma linha pensamento sobre o cartaz, respeito a manutenção de alguma mística da Feira, tal como refere o amigo Jorge Santos.

FO que acrescentaria ao certame?
António José Rodrigues – Novas vertentes abrangentes de todo o concelho: a nível económico, promovendo a produção industrial e agrícola (com relevo para os vinhos, o azeite, o tomate, o melão, o arroz, a fruta, etc.); em termos patrimoniais e culturais, há que promover a visita aos monumentos existentes, bem como a gastronomia tradicional, tais como o torricado, a tiborna, o açordão ou lapardana (acompanhado de sardinha ou bacalhau assado na brasa), os pratos de arroz de cachola, de feijão, de grelos, de lampreia, o bolo de chouriço, a escarpiada, os chícharos, a pívia de bacalhau, a tomatada, as sopa de cardos ou de ineixas, a açorda de sável, etc.); e, finalmente dar uma mãozinha ao desporto, designadamente o infantil, e iniciar a promoção do turismo à volta do património histórico e cultural.

FQue posição sustenta quanto à tradição dos toiros associada à Feira de Maio?
António José Rodrigues – Quero deixado bem vincado que no aspecto mais ribatejano, será de preservar a velha tradição dos toiros, do cavalo e do campino, na forma que passo a especificar: não sou fã das tradicionais touradas devido ao enorme e desnecessário sofrimento provocado aos toiros; mas tolero a continuação das largadas de toiros, uma vez que os homens e os toiros apenas utilizam os seus próprios corpos na mutua refrega.

FMantinha o figurino das largadas, se dependesse da sua concepção organizativa?
António José Rodrigues – Sugeria um novo figurino para a espera ou largada de toiros: Que fosse feita numa manga apropriada fora do espaço urbano dado que manter esta tradição dentro da vila de Azambuja continuará a ser uma despesa inútil e sempre crescente na sua preparação e na limpeza das ruas, com custos exagerados pelo entupimento que a areia provoca nas sargetas e redes de esgotos pluviais.

 

VIAAlexandre Silva
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