Jorge Santos: “A Feira de Maio tem uma mística que não se explica… Sente-se”

Jorge Santos é mais uma das personalidades de Azambuja que o Fundamental convidou para comentar aspectos ligados à Feira de Maio. Músico e azambujense de gema, Jorge Santos comenta o cartaz de promoção do evento bem como o espírito da própria Feira.

O Fundamental convidou um conjunto de personalidades de Azambuja a comentar aspectos ligados à Feira de Maio, o certame maior que se realiza na vila sede de concelho entre os dias 24 e 28 de Maio. O cartaz de promoção do evento bem como o espírito da própria Feira estão em análise neste exercício de opinião, que contamos seja tão abrangente quanto possivel.

O convidado de hoje é Jorge Santos, músico e azambujense de gema. Jorge começa por fazer um rasgado elogio à organização do certame: “Eu nunca fiz parte da organização da feira de maio e julgo que, se fizesse, não conseguiria fazer melhor”. O músico azambujense garante que a única coisa que organiza nesta ocasião, em conjunto com alguns familiares, é uma pequena tertúlia onde tem todo o gosto em receber quem vier por bem.

Ainda assim, Jorge Santos refere: “Se fizesse parte da organização e tendo que pensar no assunto, conseguiria sugerir alguma inovação e, quem sabe, trazer de volta a feira de gado, que acabou há uns anos por ter ocorrido um acidente com um animal, face às condições em que estes estavam albergados”, acrescenta o conhecido azambujense.

Ainda de acordo com a opinião de Jorge Santos, “tentar fazer regressar à feira de maio a mostra de máquinas e alfaias agrícolas de outros tempos” seria uma aposta. Jorge justifica: “A feira de maio tem o seu momento alto à volta das largadas, mas não é nem pode ser só isso”. Jorge acrescenta ainda que, na sua opinião, falta um espaço onde a feira possa ser um certame único.

Jorge Santos refere igualmente a dispersão da feira, em contraste com o passado recente: “Hoje a feira está espalhada por vários locais, ao contrário do que aconteceu no passado, quando o certame tinha lugar no ainda hoje chamado Campo da Feira, sendo que algumas das actividades mais ligadas ao campino ocorrem na manga do valverde, que fica um pouco retirada das restantes vertentes. Foi uma pena ter-se transformado o Campo da Feira naquilo que hoje é”, acrescenta.

Ainda de acordo com a opinião de Jorge Santos, e citamos, “Seria bom conseguir um espaço para reunificar todo o certame, sendo que talvez com esta iniciativa se conseguisse que as actividades da manga ficassem mais perto das restante e que, com isso, tivessem maior visibilidade”. Jorge sugere: “Poder-se-ia até construir uma sala ou auditório, não só para albergar eventos no decorrer da feira de maio mas também para trazer a azambuja espectáculos culturais de maior dimensão”.

Acerca do cartaz, Jorge Santos opina: “A polémica gerada à volta dos cartazes é uma boa demonstração do quanto as pessoas gostam da feira de maio e reflete a sua preocupação em transmitir para o exterior uma imagem fiel da importância do certame e das tradições que encerra”. O músico acrescenta que a feira de maio é uma festa com espírito próprio que se começa a sentir bem cedo, aquando do vislumbre dos primeiros paus de suporte das tranqueiras.

“As pessoas que vivem a feira de maio parecem rejuvenescer, parecem andar mais satisfeitas e logo iniciam os trabalhos de preparação das suas tertúlias para receber os de cá e os que vêm de fora”, acrescenta o músico de Azambuja, que remata: “A feira de maio tem uma mística que não se explica… Sente-se”.

 

 

 

VIAAlexandre Silva
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