Pedro Moreira: “Jamais criticarei a ACICA, que tudo fez para que a Feira não acabasse”

Pedro Moreira é outra das personalidades de Alenquer convidadas para opinar sobre a Feira da Ascensão. Empresário do ramo da restauração e também empreendedor na área dos vinhos e enoturismo, Moreira protagoniza nesta entrevista um muito esclarecido exercício de opinião sobre o evento maior de Alenquer.

Pedro Moreira, aqui nos tempos em que foi vereador na Câmara de Alenquer (foto de arquivo)

Pedro Moreira é outra das personalidades de Alenquer convidadas para opinar sobre a Feira da Ascensão. Empresário do ramo da restauração – proprietário da Taberna do Areal – e também empreendedor na área dos vinhos e enoturismo, Moreira é proprietário de uma loja situada em Alenquer de venda de vinhos exclusivamente produzidos na região de Lisboa, a Doc Lisboa Wines, onde também são promovidas WineTours.

Pedro Moreira será um profundo conhecedor desta temática da Feira da Ascensão, não apenas pela sua condição de empresário alenquerense mas também devido à sua passagem pela vereação camarária. Segundo o próprio, se ainda há Feira tal deve-se à direcção da ACICA, que tudo fez para que o certame não acabasse quando a maioria na Câmara previa acabar com o evento. Eis a entrevista:

FQue leitura se pode fazer do actual momento por que passa a Feira da Ascensão, o certame mais representativo de Alenquer?
Pedro Moreira – Penso que é necessário contextualizar a Feira nos dias de hoje, e para isso temos de fazer um breve exercício de memória para compreender o que nos trouxe até aqui. Quando o Presidente Álvaro Pedro saiu da Presidência, começou um paradigma novo na Câmara. O executivo não se revia no modelo anterior, um modelo que teve o seu tempo, mas que muitos dos habitantes punham em causa.

FQuais eram as reivindicações prementes da altura?
Pedro Moreira – A ausência de oferta para um mercado jovem, especialmente em termos culturais, eram as maiores lacunas que este evento tinha na época. Em meu entender começa aqui a descaracterização da Feira, pois nos três anos seguintes esta foi realizada em três locais distintos, tendo a Câmara como promotora, e por último uma comissão de privados. Aqui existiu um claro “zig-zag” na estratégia adoptada, e na época coloca-se mesmo a hipótese de acabar com a Feira.

FQual foi então a solução encontrada nesse momento?
Pedro Moreira – É nesta altura que entra uma proposta da ACICA para a elaboração e realização da Feira, e no meu entender bem, pois na ausência de estratégia para este histórico certame a direção da ACICA fez o que lhe competia e não deixou cair o evento num momento difícil.

FQue interpretação podemos fazer do cartaz de promoção do evento?
Pedro Moreira – O cartaz da Feira pode ser discutível, mas tem demonstrado coerência, pois desde que é a ACICA a organizar o certame o cartaz tem sido sempre apresentado dentro dos mesmos moldes. Compreendo que muitas pessoas não se revejam neste modelo, eu próprio admito que também não, mas jamais irei criticar pessoas da direcção da ACICA que tudo fizeram para que a feira não acabasse. Como se costuma dizer, quem paga manda! É a direção da ACICA que se chega à frente e assume a estratégia. Até hoje resultou, por isso temos de respeitar.

FÉ possivel comparar a Feira dos anos 80 e 90 do século passado com o espírito do actual certame?
Pedro Moreira – Não há paralelo entre a Feira dos anos 90 e a de hoje em dia, como é evidente, mas também a sociedade não tem paralelo entre uma época e outra. Sou completamente contra entrarmos numa discussão para avaliar em que época é que era bom, quem fez melhor, e quem fez mais. No meu ponto de vista, cabe a toda a Câmara Municipal e Assembleia Municipal avaliarem o tema com serenidade e bom senso. Se chegarem à conclusão que este modelo não interessa, então devem dar um passo em frente, falando com a ACICA, até porque a Câmara continua a ser parceira número um da Associação no contexto deste evento.

FQual vai ser o futuro da Feira da Ascensão, tendo em conta tudo o que foi referido pelo Pedro Moreira nesta entrevista?
Pedro Moreira – Acredito que o futuro da Feira da Ascensão passe novamente por uma parceria forte entre Câmara Municipal como entidade promotora e organizadora, e a ACICA com poderes reforçados comparativamente com os que tinha no passado. De uma coisa tenho a certeza: o Concelho de Alenquer necessita de uma estratégia global, capaz de criar dinâmicas diárias que sustentem os seus negócios. Os eventos anuais são importantes, mas insuficientes. Eu acredito que melhores dias virão, temos todo o potencial para que isso seja uma realidade.

 

VIAAlexandre Silva
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