Câmara de Alenquer borrifa-se para o Carregado: um clássico de Natal

O abandono a que a autarquia de Alenquer deixou chegar o Carregado (também) nesta quadra de Natal merecia, a meu ver, um estudo profundo que versasse sobre a psique de quem governa a municipalidade. Para mim, trata-se claramente de uma questão de embirração básica. Do género: quanto mais insistem no assunto, pior fazemos. Não vejo outra explicação.

O abandono a que a autarquia de Alenquer deixou chegar o Carregado (também) nesta quadra de Natal merecia, a meu ver, um estudo profundo que versasse sobre a psique de quem governa a municipalidade. Para mim, trata-se claramente de uma questão de embirração básica. Do género: quanto mais insistem no assunto, pior fazemos. Não vejo outra explicação.

Pedro Folgado, o presidente da Câmara de Alenquer, vive no coração do Carregado, num prédio situado numa das artérias principais da vila. Questiono-me como é que tem coragem de encarar os carregadenses. Presidente desde 2013, pode reclamar o título de líder do executivo que mais negligenciou a freguesia do Carregado.

As iluminações de Natal são apenas mais um exemplo: comparando com o investimento feito em Alenquer (justificado e incontestável), o Carregado é a última das prioridades da autarquia. É como ter dois filhos e oferecer a um deles um Ferrari novinho; ao outro, uma bicicleta pasteleira de 1960. Que deve ser o ano de origem daquela iluminação com que encheram de luz o coração dos carregadenses na rua D. Pedro V.

Entre 2013 e 2017 o investimento de Pedro Folgado no Carregado foi de zero. A Câmara abateu a dívida em mais de 7 milhões de euros nesse período, pelo que dinheiro não era problema. A prioridade foi devolver capital aos bancos, ao invés de investir no bem estar das pessoas e na qualidade de vida desta localidade. Para acentuar a gritante desigualdade, Alenquer (e muito bem, reforço) tem sido palco de um investimento crescente a cada ano que passa.

Por essa razão afirmo, com toda a convicção: Pedro Folgado está claramente a menosprezar os carregadenses. Nada parece ser capaz de fazer ver ao presidente que a terra onde vive e que o acolhe há décadas merece investimento decente. A parca iluminação de Natal é apenas uma fiel amostra de uma cada vez mais triste e óbvia realidade: o Carregado não conta para Pedro Folgado. Com o devido respeito, mas em dimensão e relevância está para o presidente ao nível de um Pereiro de Palhacana, Ribafria ou Vila Verde dos Francos.

Há, no entanto, uma realidade à qual não posso ficar indiferente: os resultados das últimas eleições autárquicas na freguesia do Carregado, que me deixam ainda mais confuso. Se a triste realidade do Carregado é um facto e está à vista de todos, também não deixa de ser menos verídico que dá a impressão de que parte dos carregadenses está contente com o que (não) se vai passando na sua terra.

Portanto, a conclusão a que chego é esta: a Câmara despreza o Carregado desde há décadas; os últimos quatro anos acentuaram tal desprezo, e Pedro Folgado faz questão que assim seja. Mas parte da população gosta, concorda e acha que está muito bem assim. Muitos dos que praguejaram e amaldiçoaram a autarquia central devido à iluminação de Natal já nem se lembram que foram (e continuam a ser desde há anos) os responsáveis por não haver mudança.

Carregado, estás lixado. E siga o festim do abandono.

 

VIANuno Cláudio
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