Chow chow: o fiel amigo que vem da China (Rubrica de Jorge Guilherme)

A rubrica "Silencioso confidente - No limite da verdade" é da autoria e responsabilidade de Jorge Guilherme, e pretende sensibilizar, informar ou mesmo instruir (através de dicas, respondendo a duvidas) os leitores para varias fases de treino ou familiarização e aquisição do animal ideal. O objectivo é claro: lutar contra a irresponsabilidade e maus tratos dos animais.

O Chow Chow é considerado por alguns especialistas como uma das espécies de cães mais antigas. Oriundo do norte da China e Mongólia, este cão foi considerado como o “Cão – Leão empolado” Songshi Quan, já que os antigos imperadores chineses tinham por ele uma certa afeição, de tal maneira que estes cães ficaram conhecidos como Tang Quan, o cão da Dinastia Tang, não só pela sua apresentação, como pelo seu temperamento e coragem.

Estes cães eram principalmente utilizados como cães de trabalho, com o objectivo de realização de algumas tarefas, tais como a caça, pastorícia, guarda e outras. Mas numa faceta mais negra, o pelo deste cão foi utilizado pelo chineses para confecção de casacos, e para repugnância das mentes ocidentais, a carne deste canídeo foi e ainda é considerada uma divina iguaria no mundo oriental. Contudo não se deve confundir o nome deste cão com o famoso arroz chau chau.

A designação Chau Chau refere-se ao condimento de arroz frito, no qual muitas das vezes é adicionada carne de porco assada, cebolinho, chouriço, presunto, ervilha, ovo, camarão e molho de soja. E em nada tem a ver com o nome do Chow Chow. Característico também é a cor da sua língua, roxa. Existindo apenas outra raça que tem as mesmas características, o Shar-Pei.

Por volta de 1820 foram trazidos pelo exército Inglês para a Europa. Fica também aqui uma nota de conhecimento: estes cães foram preferidos por Sigmund Freud e Konrad Lorenz.

Educação do Chow Chow. Em primeiro lugar, só deverá adquirir cães desta raça quem tem um certo conhecimento comportamental do Chow Chow ou tenha firmeza e coragem educacional como apanágio da sua personalidade. E isto porque estes cães, além de lhes ser inerente uma certa teimosia, são muito dominantes.

E desculpe o leitor por esta minha primeira abordagem, mas no meu ver é preferível que se aborde e informe a sociedade para estas situações, para que mais tarde não aconteça acidentes ou seja mais um canídeo a ingressar num canil, como um cão potencialmente perigoso, e principalmente abandonado.

A educação deverá ser aplicada neste cão deste muito novo, demonstrando e aplicando certas regras comportamentais e de higiene. Com o decorrer do tempo, devemos sempre ter em atenção que acções de posse ou domínio deste cão deverão ser rapidamente negadas, tais como por exemplo ficar sentado em cima do sofá, e principalmente num mesmo lugar especifico, posse de um objecto ou outro. Aqui ou não deixar subir para o sofá (para mim o mais acertado), ou em primeiro lugar senta-se sempre o dono, depois o cão, e variar o local de estadia para o canídeo. A posse deverá ser sempre demonstrada vários objectos de brincadeira, variando também a sua apresentação, para que o cão não se fixe só num brinquedo.

O mais importante a reter é a necessidade de uma educação vigiada, no decorrer da “infância”, “adolescência” e maturidade deste cão. Essa educação baseia-se numa constante negação de actos ou acções de domínio apresentadas pelo canídeo, numa diversificação e desmonetarização de acções diárias, abrangendo uma maior diversidade de situações, ampliando uma maior capacidade de reacção perante o cão e um poder de domínio sobre o canídeo.

É também importante para o Chow Chow desde muito novo lidar com outros cães, efectuando brincadeiras, passeios e mesmo actividades. É muito importante os donos de cães desta raça efectuarem um trabalho de familiarização desde muito novos, vigiando e impedindo qualquer atitude de dominação ou submissão.

Não quero com isto identificar o Chow Chow como um diabo da Tasmânia, longe disso. A sua fidelidade, companheirismo e coragem na defesa do dono e do seu território são muito o seu atributo; a sua aparência, o seu característico andar, o seu falso roncar, a sua distintiva atitude de roçar nas pernas das pessoas de quem mais gosta (muito parecido com um gato) são outras das suas particularidades.

Quando em cima referi o “falso roncar”, refiro-me à sua atitude de abordagem perante pessoas desconhecidas. E quando isto acontece, é uma maneira de o Chow Chow marcar a sua presença de forma dominadora, e aperceber-se da atitude de reacção do outro interveniente. Neste caso deveremos manter uma atitude calma, tanto na voz, como na posição corporal. Nunca devemos colocar-nos numa posição de joelhos, ou ao nível do canídeo. É o canídeo que deverá vir ao nosso encontro e não nós ao dele.

Quando este roncar se tornar mais intenso e ofegante, aí deveremos precaver de uma reacção ofensiva do Chow Chow. Os machos podem ter entre 48 a 56 cm de altura na cernelha, ficando as fêmeas pelos 46 ou 51 cm. a cor do seu pelo varia em 5 tonalidades: preto, vermelho, azul(cinza), fulvo e o creme. Muitos especialistas consideram-no um cão de um dono só, contudo é um cão acessível ao ambiente familiar, desde que seja educado nos moldes que venho a referir.

Para manter um cão saudável, para além de seguir planeamento veterinário, deverá ter sempre em atenção a higiene pessoal deste canídeo, a necessidade de o escovar diariamente. Para uma maior duração de vida de um canídeo (seja qual for a raça) ela só é possível quando o dono adapta novos comandos, diversifica exercícios, amplia e diversifica passeios, apresenta constantemente novos ambientes, e acima de tudo o ama e respeita.

TODO O SER HUMANO NÃO TEM A NOÇÃO DO TAMANHO DO SEU MUNDO, CONTUDO O MUNDO DOS CÃES APENAS SE LIMITA AO SEU DONO.

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