Azambuja: PS reconquista maioria absoluta à custa do atraso civilizacional de David Mendes

A candidatura da coligação liderada pelo Partido Comunista foi a grande derrotada em Azambuja, já que perdeu um vereador, permitindo deste modo que o PS reconquistasse a maioria absoluta. David Mendes, candidato repetente, perdeu 459 votos comparativamente com 2013. (Opinião de Nuno Cláudio)

A candidatura da coligação liderada pelo Partido Comunista foi a grande derrotada em Azambuja, já que perdeu um vereador, permitindo deste modo que o PS reconquistasse a maioria absoluta. David Mendes, candidato repetente, perdeu 459 votos comparativamente com 2013 o que, num concelho com a dimensão do de Azambuja, haveria de se revelar determinante para a definição do elenco camarário.

Curiosamente, o Partido Socialista também perdeu votos quando comparado com 2013. Foram exactamente 28, número pouco relevante, mas mesmo assim a candidatura de Luís de Sousa alcançou a maioria absoluta que lhe tinha escapado em 2013. Neste caso, prevaleceram as regras do método de Hondt. A perca de votos foi mais significativa para as coligações lideradas pela CDU e pelo PSD: 459 e 358, respectivamente.

Neste particular, outra curiosidade: o CDS – Partido Popular obteve 351 votos, número muito semelhante à perca da Coligação PSD (358). Recorde-se que o Partido Popular abandonou a coligação que tinha protagonizado em 2013 em parceria com social democratas. Muito provavelmente este desfazer de “casamento” ajudou a proporcionar a maioria absoluta ao Partido Socialista, mas não terá sido um factor determinante.

A candidatura do Bloco de Esquerda amealhou 698 votos, muito possivelmente à custa das perdas da CDU e da estagnação do Partido Socialista. Os bloquistas, esses sim, terão sido os verdadeiros “culpados” da maioria absoluta socialista em Azambuja, já que os votos “roubados” à coligação comunista terão sido determinantes para a perda do vereador da CDU no executivo. Ainda assim, David Mendes apenas se poderá queixar de si próprio.

Mendes é um caso raro de desfasamento dos tempos modernos aplicado às autarquias. Uma busca rápida pelas redes sociais revelam uma ausência incompreensível tanto do candidato como da própria candidatura comunista. O arquitecto somente comunica consigo próprio e com aqueles que ainda têm paciência para ouvir a sua pretensa omni-sabedoria. Até os candidatos mais modestos dos municípios mais recônditos de Portugal investem hoje na comunicação através da internet e das redes sociais. Mendes é uma excepção.

Basta ter alguma capacidade de perceber a dimensão do mundo em que vivemos para concluir que nos dias contemporâneos a comunicação para as massas já não se faz preferencialmente através do papel, seja ele em que formato for. A esmagadora maioria das gerações adoptou a título definitivo as plataformas tecnológicas: telefones, tablets, computadores. Pretender captar os votos e a simpatia dos eleitores terá obrigatoriamente que passar por uma estratégia de comunicação que inclua tais veículos como bases privilegiadas de acção. Mas para tal é necessário que não se viva mentalmente na idade da pedra lascada.

Para almejar a sobrevivência a curto prazo, a CDU de Azambuja terá obrigatoriamente que renovar os seus quadros e encontrar um candidato que viva no século XXI, que seja humilde, que saiba ouvir para lá da sua própria voz e que leve a população de Azambuja a olhar para si exactamente desta forma. Ou seja, está na hora de Mendes passar à história, ou à história passará a própria Coligação Comunista em Azambuja.

 

VIANuno Cláudio
COMPARTILHAR

DEIXE UMA RESPOSTA