PSD de Alenquer em queda regressa à época anterior a Nuno Coelho

O PSD de Alenquer está em queda e obteve ontem o pior resultado das últimas quatro eleições para a autarquia local. Frederico Rogeiro não conseguiu mobilizar os alenquerenses tal como Nuno Coelho havia feito em 2005, quando se apresentou pela primeira vez ao eleitorado como alternativa a Álvaro Pedro (Opinião de Nuno Cláudio)

Este cartaz foi uma ode ao individualismo no seio de dois partidos que formaram a Coligação Juntos Pelo Concelho

O PSD de Alenquer está em queda e obteve ontem o pior resultado das últimas quatro eleições para a autarquia local. Frederico Rogeiro não conseguiu mobilizar os alenquerenses tal como Nuno Coelho havia feito em 2005, quando se apresentou pela primeira vez ao eleitorado como alternativa a Álvaro Pedro. Ainda que tenha mantido os dois vereadores eleitos, a Coligação Juntos Pelo Concelho perdeu quase mil e duzentos votos comparativamente a 2013.

A candidatura de Rogeiro terá cometido alguns erros que se revelaram fatais na hora do eleitorado decidir. A imagem ilustrativa deste artigo será o expoente de uma estratégia que alguns apelidaram de “tiro certeiro no próprio pé”. O candidato nunca assumiu na plenitude a “camisola” do partido que o sustentava e fez questão de estabelecer uma clara separação entre si e o próprio espírito partidário. Está farto de partidos políticos? Então vote em Frederico Rogeiro. Sim, esse mesmo que lidera a coligação PSD/CDS – Partido Popular, que são, afinal, dois dos mais importantes partidos da cena política nacional.

Faltou, por conseguinte, espírito de político a Frederico Rogeiro, cujo contexto da candidatura mais se aplicaria a um movimento independente. Rogeiro não se quis misturar com políticos, mas a consequência está à vista: quem apoia partidos como os que integraram esta coligação necessita de sentir que tem um líder forte, arrebatador, mobilizador de apoios e de contributos. Rogeiro fechou-se nas suas ideias, muitas delas utópicas e desfasadas da realidade – não necessariamente más ideias.

Frederico Rogeiro é um homem inteligente e decerto irá protagonizar um mandato muito positivo no contexto da fiscalização desta desastrada maioria socialista. Para almejar chegar a presidente de câmara faltou-lhe claramente mais experiência prática da própria vida. Capacidades e inteligência à parte, nestas coisas o povo prefere claramente candidatos com outra história de vida nos capítulos profissional e no contexto do contributo autárquico.

No ano em que se apresentou pela primeira vez ao eleitorado, Nuno Coelho obteve 6059 votos em 2005, contra os actuais 3862 de Rogeiro. A diferença era óbvia: ainda que sem experiência autárquica, Nuno Coelho apresentava uma imagem de dinâmica pessoal e profissional conhecida na sociedade alenquerense e assumiu-se como o líder que o PSD há anos procurava em Alenquer. Em contraponto, Rogeiro fugiu a sete pés de se misturar com a família social democrata. O resultado está à vista.

Ainda assim a Câmara de Alenquer manteve o figurino do mandato anterior no que a eleitos diz respeito. O PS de Pedro Folgado continuará representado por quatro eleitos e desta vez terá Frederico Rogeiro e Ernesto Ferreira como dupla fiscalizadora. Para esta função, estou convicto, serão ambos capazes de colocar em sentido a desastrada maioria. Rogeiro e a sua tendência para relevar o pormenor até à exaustão dará conta do recado. Uma missão muito nobre, de que Alenquer muito necessita nos próximos quatro anos.

 

VIANuno Cláudio
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