“Em Alenquer vamos pagar a água ainda mais cara a seguir às eleições” (Ernesto Ferreira em entrevista)

Entrevista com Ernesto Ferreira, candidato pela CDU à presidência da Câmara de Alenquer: "Não se viu por parte deste executivo qualquer factor de inovação ou de mudança em relação ao passado de Álvaro Pedro e Jorge Riso. O próprio Partido Socialista acha que pode fazer o que bem entende sem prestar contas a ninguém".

F: O que o motiva a ser candidato pela CDU à presidência da Câmara de Alenquer?
Apesar de viver no concelho de Vila Franca de Xira, sou natural do concelho de Alenquer, onde vivi até aos 30 anos. Sou natural do Bairro, freguesia de Abrigada. Acabei por aceitar este desafio colocado pelo meu partido, sabendo de antemão que não será fácil. Alenquer tem muitas carências e vive uma estagnação que me motiva a abraçar este desafio.

F: O povo de Alenquer tem razões objectivas para alterar o seu sentido de voto maioritário?
Eu entendo que sim. O Partido Socialista governa este concelho há 42 anos, e nós perguntamos: qual foi a grande obra, a linha de orientação com que governou Alenquer, não apenas os grandes centros urbanos como também o concelho mais rural? O concelho viveu duas décadas em função de um aeroporto que não veio a ser realidade, foram criadas estruturas para urbanizações megalómanas que custaram fortunas à autarquia, como é exemplo a urbanização na Quinta da Abrigada, na estrada que vai para o Montejunto. O PS geriu em função de uma realidade que não era a do concelho, mas de outros interesses.

F: Pedro Folgado criou em 2013 uma expectativa de mudança, até por trazer consigo uma equipa de gente nova que vinha do sector do ensino. Pedro Folgado tem sido uma decepção, na sua opinião?
Não correspondeu às expectativas. Esse é o sentimento que temos e que recolhemos como tendência de opinião em todo o concelho. Folgado era assessor de Jorge Riso, pelo que o que houve foi uma transição para mais do mesmo. A dívida que é usada como desculpa para não se ter feito mais foi a dívida contraída pelo Partido Socialista. Não se viu por parte deste executivo, que tem maioria absoluta, qualquer factor de inovação ou de mudança em relação ao passado de Álvaro Pedro e Jorge Riso. O próprio Partido Socialista, instalado há 42 anos na Câmara, acha que pode fazer o que bem entende sem prestar contas a ninguém.

F: O facto de viver no concelho de Vila Franca e de ter casa em Abrigada permite-lhe poder comparar a famigerada factura da água. É assim tão abismal a diferença entre as facturas de um mesmo serviço?
É considerável. Agravado pelo facto de Alenquer ser um concelho que exporta água. Alenquer consome um terço da água que vende para o exterior. Quem é que gere os furos do concelho que não têm a ver com a EPAL? Quem é que está a ganhar com esses furos?

F: E qual é a resposta?
Tanto quanto sei, foram dados a explorar à Águas do Oeste, mas com estas embrulhadas todas não se sabe quem é quem. As empresas que pretendem instalar-se no concelho esbarram no elevado preço da água. Não estando a residir a tempo inteiro na minha casa do Bairro, a verdade é que pago tanto ou mais pela factura da água do que pago em Vila Franca de Xira. Ou nós alteramos este cenário, ou vamos pagar a água ainda mais cara a seguir às eleições.

F: Esta concessão foi ruinosa para os habitantes do concelho?
Neste momento, com as sucessivas adendas ao contrato que foram feitas desde 2003, os 30 anos vão avançando, alarga-se o prazo de concessão, e a água é cada vez mais cara. No inicio deste ano chegou à Câmara de Alenquer mais um pedido de reequilíbrio financeiro…

F: Mais um. O que significa que a água vai aumentar de novo.
Trata-se de uma concessão que assenta num contrato armadilhado. Vem aí mais um aumento de água logo após as eleições. E aqui coloca-se uma questão fundamental: a empresa Águas de Alenquer está a cumprir com o contrato? Já por diversas vezes foi afirmado em reuniões de Câmara: não está a cumprir.

F: Então poderá haver motivo para rescindir o contrato sem que haja lugar a indemnizações milionárias?
Não poderei fazer uma afirmação dessa natureza, mas pelo menos há motivo para se averiguar e fazer alguma coisa, ao contrário do que tem sido a postura do Partido Socialista, que nada faz perante o estado de coisas. Dizem “vamos ver”, ou “vamos trabalhar para baixar o preço da água”, mas a verdade é que a água só aumenta, assim como se estende cada vez mais o prazo de concessão.

F: Pedro Folgado está claramente a aguardar que passem as eleições para depois anunciar mais um aumento do preço da água.
Não temos dúvidas nenhumas. Esta questão só aparece em cima da mesa porque há um vereador da oposição que pergunta directamente ao presidente, e ele confirma. Argumentou que ainda não tinha falado do assunto porque estava à espera de um qualquer parecer. Mas a Águas de Alenquer teve no ano passado uma rentabilidade de capitais de 15,32 por cento. Ou seja, um resultado líquido de mais de um milhão de euros. Alguém com dinheiro no banco tem uma rentabilidade desta grandeza?

F: A Águas de Alenquer ganha milhões à custa dos aumentos que impõe aos alenquerenses, com a Câmara a pactuar com este cenário.
Este é claramente o momento ideal para analisar os contratos, ver o que está a falhar e tomar medidas que defendam os interesses dos alenquerenses. A empresa alega que existe muito calcário nas condutas, que estas estão a rebentar e que por essa razão precisam de mais dinheiro para as reparar. Mas então não sabiam do estado das condutas quando firmaram o contrato de concessão? Se o cenário não está de acordo com o contratado, então a própria Águas de Alenquer que rescinda o contrato, e devolva o sector a quem de direito, se alega não ter condições.

F: Pedro Folgado está de joelhos perante o poder do dinheiro? Águas de Alenquer, Continentes, Pingos Doces…
A população do concelho tem nas mãos o poder de alterar esta situação através do voto. Veja ainda o caso da concessão das águas: Mafra foi o primeiro município do país a entregar o sector da água a privados, e neste momento está num processo de reversão do contrato. Eu quero pensar que há apenas incapacidade, falta de vontade, e não quero pensar em mais nada. A título de exemplo, os SMAS de Vila Franca deram lucro no ano passado, e estamos a falar de uma câmara socialista, isto para lhe dizer que não há aqui qualquer móbil político. Estamos a falar de algo que é vital para as pessoas, a água.

VIANuno Cláudio
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1 COMENTÁRIO

  1. Poderia replicar aqui o comentário que fiz a propósito da entrevista do candidato do BE.
    Quando confrontados com o que fazer com o contrato de concessão, apenas resposta vagas. Nenhum estudo, nenhuma ideia concreta sobre o assunto. Só retórica política. Logo que as eleições findarem, o eleito da CDU no executivo municipal, faz o mesmo que o eleito que em breve será cessante – Carlos Areal -.
    O que andou a fazer, ou concretamente, o que fez a CDU nestes 4 anos sobre o tema em questão?

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