Os especialistas e o adeus às armas (opinião de António José Rodrigues)

Que pena o Paulo Portas não ter comprado mais 2 submarinos para fazer segurança ao Paiol de Tancos: um nas águas do Rio Tejo e outro nas águas do Rio Zêzere, nas proximidades de Tancos, os quais deveriam atirar umas bujardas para o espaço aéreo daquela base, apenas durante a noite, de modo a iluminá-la e afugentar os larápios (opinião de António José Rodrigues)

O meu amigo Bolinhas contou-me que teve um professor universitário que sabia tudo sobre nada. Explico melhor: o dito sábio ou especialista, depois de acabar o ensino secundário e complementar, escolheu um curso superior de Zoologia, a ciência que estuda os animais bem como as relações entre eles e o ambiente em que vivem. A zoologia estuda também a estrutura dos animais, de que constituem seus tecidos, propriedades e funções celulares.

São conhecidas aproximadamente 2.000.000 espécies de animais; porém, alguns especialistas acreditam que em certos grupos é conhecida apenas uma pequena fracção das espécies existentes. Entre as espécies conhecidas, o tal sábio licenciou-se no estudo da mosca. Depois, pretendendo aperfeiçoar o seu conhecimento, fez o mestrado sobre as pernas e as asas da mosca, após o que um belo dia apanhou uma mosca com a mão, arrancou-lhe as pernas e, após abrir a mão disse-lhe: vou libertar-te para voares rumo ao Norte.

A mosca estava virada para nascente, baixou um pouco a asa esquerda e voou para Sul; logo o especialista afirmou: esta já entende a voz e o comando humano, mas ainda não sabe nada sobre pontos cardeais. Por fim, fez o doutoramento apenas sobre as asas da mosca. Então repetiu a mesma experiência, ou seja, apanhou uma outra mosca, desta vez arrancou-lhe as asas, colocou-a na palma da mão e disse-lhe: voa para Norte!

A coitada da mosca ficou como estava. Então o referido especialista, mestre e doutorado sobre a asa do insecto, concluiu: fiquei sem saber se a mosca já sabe os pontos cardeais, mas ficou provado que a mosca sem asas é surda que nem uma porta. Conclusão, o meu amigo Bolinhas teve um professor especialista na asa da mosca que ficou a saber tudo sobre nada.

Esta “estória” do meu amigo Bolinhas levou-me a reflectir sobre o roubo do material de guerra armazenado na Base de Tancos (granadas, foguetes antitanque, metralhadores, pistolas e espingardas, balas etc.) e a razão por que a guarda do mesmo material era da responsabilidade de 5 comandantes de 5 unidades militares diferentes, 3 deles sediados em Tancos, 1 em Tomar e mais 1 em Benavente.

Depois de pensar sobre o assunto e de ter feito perguntas a vários comandantes militares, alguns deles reformados após a guerra colonial de Angola, Moçambique e Guiné, explicaram-me que a repartição do comando dos operacionais que lidavam com o diverso material de guerra obedecia ao conhecimento especializado de cada uma das espécies de material, sendo que um dos comandantes, aquele que estava sediado em Benavente, era especialista na manutenção e conservação das balas. Daí poder estar um pouco mais afastado do paiol de armazenamento das mesmas.

De seguida irei fazer uma reflexão sobre o comandante das balas e a rábula da guerra de Raul Solnado, onde ele contava, em determinada altura: como na guerra dele tinham poucas balas e o comandante era forreta, usavam as mesmas balas, cada uma delas segura por um cordel que, depois de disparadas contra o inimigo, eram puxadas pelo cordel para continuarem a guerra com as mesmas balas. Ora parece que o dito comandante sediado em Benavente tinha as balas presas por um cordel e não precisava de lhes fazer segurança.

Que pena o Paulo Portas não ter comprado mais 2 submarinos para fazer segurança ao Paiol de Tancos: um nas águas do Rio Tejo e outro nas águas do Rio Zêzere, nas proximidades de Tancos, os quais deveriam atirar umas bujardas para o espaço aéreo daquela base, apenas durante a noite, de modo a iluminá-la e afugentar os larápios.

VIAAntónio José Rodrigues
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