Nem os romanos roubavam a si próprios

"Os banqueiros utilizam o dinheiro dos depositantes comuns para brincar aos investimentos, dentro de uma lógica financeira que os próprios criam e que mais não é do que uma equação matemática sem solução em todo o universo. Quando a coisa corre bem, por obra e graça de uma engenharia sem alicerces, distribui-se o lucro pelos accionistas e pagam-se comissões chorudas - vergonhosas - aos senhores das cúpulas dos bancos. Mas quando corre mal, recorrem à ajuda dos governos, que lá metem o dinheiro do povo, nem que para tal tenham que cortar nos ordenados, nas reformas, nos serviços de saúde, educação e solidariedade."

Nem os Romanos eram tão beras a ponto de roubar o seu próprio povo como actualmente somos roubados... pelos nossos!

Nos idos tempos medievais, quando a vontade de ganhar dinheiro batia à porta (fosse por necessidade ou ganância), imperadores e ditadores empreendiam a invasão e o saque a outros povos, arrasando tudo à sua passagem e desta forma fortalecendo os impérios que governavam e proporcionando aos seus uma vida folgada e abastada. Já no século XXI, em Portugal, banqueiros e outros gananciosos atacam o seu próprio povo, roubando e saqueando o que podem, a coberto de governos que arrogam a si próprios o estatuto de organismos justos e democráticos, defensores dos interesses do povo. Os banqueiros utilizam o dinheiro dos depositantes comuns para brincar aos investimentos, dentro de uma lógica financeira que os próprios criam e que mais não é do que uma equação matemática sem solução em todo o universo. Quando a coisa corre bem, por obra e graça de uma engenharia sem alicerces, distribui-se o lucro pelos accionistas e pagam-se comissões chorudas – vergonhosas – aos senhores das cúpulas dos bancos. Mas quando corre mal, recorrem à ajuda dos governos, que lá metem o dinheiro do povo, nem que para tal tenham que cortar nos ordenados, nas reformas, nos serviços de saúde, educação e solidariedade. Mas quando a coisa corre mal, tal significa que o dinheiro simplesmente se evaporou? Claro que não se evaporou. O dinheiro foi parar direitinho às contas escondidas de meia dúzia de larápios, que entretanto desapareceram de cena. E para que esse monstro do chamado sistema bancário não caia, arrastando consigo economias e sociedades inteiras, lá tem o povo que repor o que os larápios fanaram. Já ouvimos algum politico com responsabilidades governativas tocar neste assunto? Mas claro que não.
Nem os imperadores romanos roubavam o seu próprio povo, carago…

VIANuno Cláudio
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