Funcionárias humilhadas no Lar de Idosos de Aveiras?

Leitores do Fundamental denunciam: "É crime obrigar pessoas a despirem-se e ficar em cuecas, mães, esposas e trabalhadoras a chorar nuas à frente umas das outras, e quem mandou não foi castigado". Mais: "Ainda por cima estas funcionárias são ameaçadas para não falarem porque se o fizerem deixam de ter regalias". Afinal, em que estado se encontra o Lar de Idosos de Aveiras?

Funcionárias enxovalhadas e humilhadas e idosos maltratados? Há quem garanta que é o que se passa na Instituição...

As denuncias têm sido frequentes e vêm da parte de leitores bem identificados, que utilizaram o Fundamental – Diário Online para expressarem alguma revolta para com aquilo que identificam como o estado do funcionamento do Lar de Idosos de Aveiras. Estas denuncias surgem na sequência de um artigo de opinião publicado pelo director deste jornal no passado dia 21 de Setembro, intitulado “A tristeza do Padre António e a Paróquia de Aveiras”. Antonieta Lopes, por exemplo, afirma: “É crime obrigar pessoas a despirem-se e ficar em cuecas, mães, esposas e trabalhadoras a chorar nuas à frente umas das outras, e quem mandou não foi castigado”, refere esta leitora, acrescentando: “Ainda por cima estas funcionárias são ameaçadas para não falarem porque se o fizerem deixam de ter regalias. Quem trabalha precisa, mas também precisa de respeito”. Esta denuncia é corroborada por Manuel António Costa, que refere: “As funcionárias são enxovalhadas e mandadas despir contra vontade, no meio duma sala, por um roubo que não aconteceu”, acrescentando este leitor: “As funcionárias estão mesmo muito saturadas; são ameaçadas por quem manda na instituição, mas este estado de coisas não pode estar certo”. A leitora Antonieta Lopes acrescenta: “Quando as funcionárias trabalham mais algum tempo depois do horário, não podem picar o ponto, porque quem manda na instituição diz que esse trabalho é voluntário, e por essa razão não têm direito a receber pelo mesmo”. Esta leitora acrescenta: “As folgas que estão para tirar são gozadas quando dá jeito, e depois ficam 4 ou 5 pessoas a tratar de uma quantidade grande de utentes, e as férias sao mudadas de um dia para o outro”. Antonieta Lopes afirma igualmente saber que existem trabalhadoras do Lar de Idosos de Aveiras de Cima a trabalhar dois e três meses seguidos sem ter direito e um sábado e um domingo em casa. “Ora esta, ainda dizem que há regalias? Mas isto é contra a lei”.

Maus tratos a idosos? Manuel Costa afirma igualmente que os maus tratos a idosos estão bem presentes naquela instituição: “O Nuno Cláudio refere no seu artigo de opinião que quer acreditar que não há maus tratos nos idosos daquela instituição mas esses maus tratos não existem se tivermos em conta que maus tratos são bofatadas, por exemplo; nesse caso, acredite que ninguém é maltratado. Mas maus tratos são também não ouvir, não deixar falar, não responder, não ajudar a comer, não dar água, não mudar a fralda quando tem xixi, falar-lhes mal, contaria-los a toda a hora, deixa-los sentados dias e dias, deixa-los na cama. Nestes casos também estamos a falar de maus tratos, e é isso que se passa no Lar de Idosos de Aveiras”, acrescenta Manuel Costa. Já o leitor Rui Franco afirma: “Infelizmente o senhor Prior passou a direção do lar para um senhor que vai lá e ralha com as pessoas que lá trabalham, e diz-lhes que se quiserem ir embora para irem, sendo que estas são pessoas que sempre deram tudo de si pela instituição”, afirma Rui Franco, para acrescentar: “Tem muitas pessoas que estão descontentes com este estado de coisas”.

Há quem garanta que as preocupações do Prior são justificadas. Afinal, quem é que está a trair a obra deste Homem?
Há quem garanta que as preocupações do Prior são justificadas. Afinal, quem é que está a trair a obra deste Homem?

Anabela, leitora do Fundamental e funcionária do Lar, não está de acordo com estas opiniões, e afirma: “Sou alguém que trabalha há já muitos anos nesta instituição, e gostaria muito de ver alguma compreensão da parte das pessoas que só sabem criticar. Nós somos seres humanos, não somos máquinas que se possam programar, e como todos os seres humanos temos falhas, cometemos erros mas pelo menos estamos lá ao lado dos vossos país, avós, tios, a fazer o nosso melhor, a tentar melhorar dentro das nossas capacidades os poucos dias que eles ainda vão cá estar”. Anabela complementa, lançando um desafio: “Gostaria que sempre que tenham vontade de criticar se lembrem disto: é tudo mal o que nós estamos a fazer?”. Já Isabel Gomes refere: “Deveria haver uma formação e uma avaliação para assistente auxiliares, para não haver lugar a estas situações e o nosso querido e adorado Prior não se preocupar tanto com uma instituição fundada pelo mesmo, mas que está super mal entregue”, afirma Isabel, que acrescenta: “Cabe também à população de Aveiras de Cima fazer algo por uma instituição onde estão tantos idosos a precisar de apoio e tantos empregos na instituição e famílias que precisam da mesma. A população fala, mas quando chega a hora da verdade ficamos quietos”. Um grito de revolta da população de Aveiras? A verdade é que são muitas as vozes que se levantam para denunciar aquilo que consideram ser o funcionamento do Lar de Idosos de Aveiras de Cima.

VIAA.T.
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